Em entrevista ao WW, Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group, afirma que a crise em torno do caso Master expõe a campanha de Flávio Bolsonaro e faz o eleitor acreditar que “a maioria dos políticos é corrupta”.
“É nítido que há um cansaço do eleitorado tanto com o lulismo quanto com o bolsonarismo”, afirmou Garman.
Diante desse cenário, o especialista destacou que as análises da Eurasia Group apontam para a existência de espaço real para um candidato da direita que não seja Flávio Bolsonaro alcançar o segundo turno.
Garman ponderou que, apesar dos danos causados pelo escândalo, ainda há muito tempo pela frente. “Nós estamos mais de cinco meses da eleição. Não é um escândalo que chegou na campanha do Flávio três, quatro semanas antes da disputa”, afirmou o especialista.
O diretor-executivo ressalta que a candidatura, em tese, ainda tem tempo para se recuperar.
Ciclo investigativo deve gerar novos desdobramentos
Garman avaliou que o caso deve alimentar um longo ciclo de manchetes e revelações. Segundo ele, há expectativa sobre uma possível delação premiada envolvendo Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao Banco Master.
Caso isso não ocorra, a hipótese levantada é que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça tenha concluído que as informações oferecidas não seriam suficientes.
O especialista também mencionou confiança na linha investigativa da Polícia Federal para reunir novas evidências. “Temos já contratado novos desdobramentos, novos atores”, disse.
Na avaliação de Garman, o desfecho mais provável desse ciclo é que o eleitor chegue à conclusão de que “a maioria dos políticos é corrupta”.
Ele prevê que tanto o campo do governo quanto o da oposição serão alvo de denúncias, criando o que chamou de “mar de lama”.
“O campo da oposição e do Flávio Bolsonaro vai acusar o lado do governo, e é claro que o que foi exposto na semana passada vai ser utilizado contra o Flávio Bolsonaro na sua campanha”, analisou.
“Esse pano de fundo fica realçado com esse ciclo investigativo”, afirmou o diretor-executivo. Para ele, essa linha investigativa do Banco Master reforça e torna mais visível essa possibilidade, ainda que seja difícil fazer previsões precisas neste momento.