A inadimplência do agronegócio subiu de cerca de 2% para 6% da carteira do BB (Banco do Brasil), afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, à CNN Brasil. Apesar da alta, ele disse que o cenário no campo não representa “terra arrasada”, já que, segundo o governo, 94% das operações do setor seguem em dia.
A declaração ocorre em meio às negociações entre governo e bancada do agro sobre o projeto de renegociação das dívidas rurais (PL 5122/23), que prevê alongamento de prazo, carência maior e criação de um fundo garantidor para produtores endividados.
Durigan afirmou que a principal preocupação da equipe econômica é evitar que a proposta aprovada no Congresso inclua produtores adimplentes e acabe provocando restrição de crédito no campo.
“Nós não podemos deixar um texto ser aprovado no Congresso que pegue toda e qualquer dívida agrícola, inclusive dívida adimplente, dívida de quem não precisa de renegociação, porque nós podemos criar um problema de restrição de crédito”, disse em entrevista ao Hora H, da CNN Brasil.
Segundo o ministro, limitar amplamente as taxas de juros do crédito rural também pode gerar efeito contrário ao esperado pelo setor.
“Se você vier num grande projeto e disser assim: toda e qualquer taxa de juros para o agronegócio tem que ser limitada a 10%, 12%, o que vai acontecer é um tiro no pé do agronegócio”, afirmou. “Os bancos vão dizer: ‘eu não consigo dar crédito nesse patamar, eu não vou dar crédito’”, frisou.
Durigan disse que o governo aceita discutir ampliação de prazo, carência e ajustes nas regras de crédito rural para atender produtores inadimplentes, mas defendeu foco apenas nos casos de dificuldade financeira efetiva.
“É importante a gente não pegar a nossa principal potência econômica, que é o agronegócio, e fazer terra arrasada, porque não é o caso”, afirmou. “Agora, com isso, eu não estou dizendo que nós não temos que tratar esse âmbito de agricultores, que é um espaço mais restrito, que de fato tem problema”, pontuou.