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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levantou na quarta-feira 20 a possibilidade de conversar com o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, algo inédito e uma grande quebra de normas diplomáticas. Os chefes de governo americano e taiwanês não conversam diretamente desde 1979, quando Washington deixou de reconhecer a ilha (capitalista) como a China e transferiu o status formal diplomático para Pequim (comunista).
“Vou falar com ele. Eu falo com todo mundo”, disse Trump a repórteres na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, quando questionado se conversaria com Lai antes de decidir se aprova ou não a venda de armas para a ilha, já chancelada pelo Congresso. “Essa situação está muito bem controlada. Vamos trabalhar nisso, na questão de Taiwan”, acrescentou ele, antes de embarcar no Air Force One.
Não está claro se o governo americano avançou com algum plano para o telefonema com o líder da ilha democrática, que Pequim reivindica como parte de seu território e prometeu reunificar, inclusive pela força se considerar necessário.
A sugestão pouco ortodoxa sobre uma conversa com o presidente taiwanês veio dias depois de Trump retornar de Pequim, onde manteve uma cúpula de dois dias com Xi Jinping. Durante visita, o líder chinês fez um alerta direto de que, caso a questão de Taiwan fosse “mal administrada”, poderia haver “confrontos e até conflitos” entre a China e os Estados Unidos.
Durante a cúpula, uma das demandas chinesas foi relacionada à redução do apoio americano a Taiwan, inclusive as vendas de armas. A ilha depende em grande medida do apoio de Washington para dissuadir qualquer possível ataque chinês e enfrenta uma forte pressão para aumentar seus gastos por meio de investimentos em empresas americanas.
Reações em Taiwan e na China
Nesta quinta-feira, 21, Lai declarou que ficaria “feliz” em conversar com Trump. Ele disse que a ilha está comprometida “em manter o ‘status quo’ estável no Estreito de Taiwan” e que “a China é quem perturba a paz e a estabilidade”, indicou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.
Lai ficaria “feliz em discutir as questões com o presidente Trump”, acrescentou a nota.
Esta foi a segunda vez, desde a reunião cúpula realizada na capital chinesa na semana passada com seu homólogo chinês, que o republicano afirmou que pretende ligar para o líder taiwanês. Se a conversa acontecer, será o primeiro diálogo direto entre os presidentes em exercício de Taiwan e dos Estados Unidos desde que Washington transferiu suas relações diplomáticas de Taipé para Pequim em 1979.
O Ministério das Relações Exteriores da China, por sua vez, afirmou nesta quinta que “se opõe com veemência aos contatos oficiais” entre Estados Unidos e Taiwan, assim como à venda de armas americanas à ilha.
“A China insta os Estados Unidos a aplicarem o importante consenso alcançado durante a reunião entre os chefes de Estado chinês e americano”, declarou à imprensa um porta-voz do ministério, Guo Jiakun, antes de acrescentar que Washington deveria “parar de enviar sinais equivocados” a Taiwan.
Após concluir a viagem oficial à China, Trump sugeriu que a venda de armas a Taiwan poderia ser usada como moeda de troca com Pequim, que reivindica a ilha como parte de seu território e já ameaçou tomar o controle do território com o uso da força. Já o governo Lai insiste que a política americana em relação a Taiwan não mudou e que o presidente dos Estados Unidos não assumiu qualquer compromisso com a China sobre a venda de armas à ilha.