O indiciamento de Raúl Castro nos Estados Unidos representa um passo calculado do governo norte-americano para “preparar o terreno” em Cuba, segundo Mário Braga, analista de geopolítica para a América Latina da empresa Rane.

Em entrevista ao WW, Braga avaliou que a medida faz parte de uma série de ações que apontam para uma possível intervenção de forças especiais ou até mesmo militar na ilha.

Para o analista, embora não seja possível afirmar que o presidente Donald Trump tenha uma fórmula definitiva para lidar com Cuba, essa parece ser sua ambição central. “Não dá para dizer se tem a fórmula, mas parece que essa é a ambição que ele tem”, afirmou Braga.

Ele destacou ainda que outros membros da administração norte-americana também têm interesses próprios na questão cubana.

Indiciamento como estratégia de legitimação

Segundo Mário Braga, o indiciamento de Raúl Castro segue uma lógica semelhante ao que ocorreu no caso de Nicolás Maduro: tentar conferir um “verniz de legalidade” perante o judiciário para uma eventual operação.

“O indiciamento tenta dar, talvez, um verniz de legalidade perante o judiciário para dizer que foi uma operação de “law and order”, de “law enforcement”, que é apenas a captura de alguém que é procurado pela Justiça americana”, explicou o analista.

Ele reconheceu, porém, que a medida continua sendo “potencialmente muito polêmica e muito controversa”, especialmente em relação ao direito internacional.

Sinais de escalada da pressão sobre Cuba

O analista apontou uma série de indícios que reforçam a tese de uma escalada de pressão norte-americana sobre Cuba nas últimas semanas. Entre eles, Braga citou a visita do diretor da CIA, o vazamento de voos de inteligência sobre o território cubano, a presença de um porta-aviões na região, sanções contra executivos do governo cubano e das Forças Armadas, além de sanções sobre empresas.

“Esses indícios mostram essa intenção do governo americano de, em um sentido, preparar o terreno para se tomar a decisão de ter algum tipo de ação de forças especiais ou um tipo de ação militar mesmo na ilha”, afirmou.

Braga também destacou que a ausência de avanços nas negociações com o governo cubano contribui para a frustração de Washington e aumenta a probabilidade de uma ação concreta. Segundo ele, “na falta de um acordo”, a tendência é que os Estados Unidos partam para algum tipo de intervenção.

O analista concluiu que, diante de todos esses fatores, uma ação militar ou de forças especiais passou a ser “uma opção mais provável” nos cenários avaliados pela Rane.



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