A escrivã da Polícia Civil do Estado da Bahia (PCBA) Maria Madalena Nascimento, de 63 anos, denuncia ter sido vítima de injúria racial enquanto realizava compras em um supermercado localizado no município de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador. Ela afirma ter sido acusada por um segurança do estabelecimento de furtar um frango.
Em um vídeo publicado pelo Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (Sindpoc), a policial relata que entrou no estabelecimento para conferir o preço de um leite condensado e carregava consigo uma sacola com compras que havia feito em um supermercado no qual passou antes de ir ao local.
“Eu fui nas prateleiras para saber onde estava o leite condensado, nem fui lá embaixo [no setor de congelados]. Achei que estava caro, tirei a sacola do carrinho e fui saindo. Eu vi um segurança forte e alto me olhando. Achei estranho. Ele olhou para mim e para a sacola. O olhar dele já foi uma coisa acusadora, mas saí tranquila.”
A escrivã contou que, quando já estava fora do supermercado, perto de uma delegacia, um outro segurança a abordou. “Ele falou: ‘A senhora pegou o frango. O frango do mercado está na sua sacola.’ Eu disse: ‘Eu peguei? O senhor está me acusando de pegar o frango?’ Ele respondeu: ‘Sim, a senhora pegou o frango’”, relembrou a situação.
Maria Madalena explicou, então, que havia comprado o item, mas alega que o homem a questionou outra vez, em tom irônico.
“Com ar de ironia, ele perguntou: ‘A senhora comprou o frango onde?’ Eu disse: ‘Eu comprei o frango no Atacadão, eu tenho a nota fiscal aqui. Eu não peguei nada, não.’ Ele disse que eu teria que acompanhá-lo, e eu perguntei o motivo, porque não tinha pegado nada.”
Ainda segundo a policial, um outro segurança teria aparecido neste momento, com o intuito de “pegá-la”.
“Como sempre uso o distintivo aqui no peito, eu fui tirar o distintivo e mostrar a ele. Eu disse: ‘Eu sou polícia, eu não queria que chegasse a isso, não, mas o senhor vai ter que me acompanhar para provar que eu furtei”, detalhou.
Após o ocorrido, a servidora registrou queixa na 23ª Delegacia Territorial e passou a receber acompanhamento da diretoria do Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindpoc), que se colocou à disposição para garantir suporte jurídico.
A policial relatou que a situação gerou forte abalo emocional. “Fui violentada de forma cruel. Estou fazendo uso de medicamentos por conta do meu estado psicológico, que está completamente abalado. Nunca imaginei que passaria por uma situação como essa, ainda mais em um momento simples do dia a dia, como fazer compras”, declarou Madalena ao Sindicato.
O presidente do Sindpoc Eustácio Lopes afirmou que o sindicato não irá tolerar qualquer forma de discriminação e que acompanhará o caso até que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados para assegurar justiça à escrivã e reforçar a luta contra o racismo e a injúria racial.