O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que cobrou o presidente americano Donald Trump sobre a extradição de Ricardo Magro, empresário e ex-advogado responsável pelo Grupo Refit. O discurso de Lula aconteceu nesta quinta-feira (21) durante agenda em Aracruz, no Espírito Santo.
A fala do presidente remete às conversas com o líder americano durante visita à Casa Branca no início deste mês. Segundo o governo, uma das pautas da reunião era o combate ao crime organizado de forma conjunta.
Segundo Lula, quando Trump mencionou o tópico, foi realizada solicitação do lado brasileiro pela extradição de “brasileiros que estão roubando lá”, mencionando o exemplo de Magro.
“Ele [Trump] falou que queria combater o crime organizado e eu falei: ‘É comigo mesmo. Se quiser combater o crime organizado, me entrega os brasileiros que estão roubando lá. Brasileiro que roubou aqui está morando em Miami, me entregue’. Inclusive, aquele Ricardo Magro, aquele cara da Refit, que é o falsificador de combustível nesse país, o maior devedor do dinheiro público desse país”, afirmou.
Na sequência, o chefe do Executivo disse que entregou a Trump as informações do empresário, como nome e o suposto endereço em Miami para uma possível operação.
“Eu entreguei pro Trump o endereço da casa e o nome dele. Quer combater o crime organizado? Me entrega logo esse aí, porque a nossa Polícia Federal tá preparada.”
Magro na lista da Interpol
Como apontado por Lula, o empresário e ex-advogado responsável pelo Grupo Refit não reside mais no Brasil, residindo em Miami desde a década passada.
Na última semana, o empresário foi alvo da operação Sem Refino, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou mandado de prisão contra Magro e busca e apreensão contra o ex-governador do Rio de Janeiro Claudio Castro (PL).
A investigação apura a sonegação de mais de R$ 26 bilhões em impostos pelo grupo Refit, considerado o maior devedor de impostos da história do país.
Após a operação, no último sábado (16), a PF enviou o nome de Ricardo Magro para a Difusão Vermelha da Interpol.
No pedido da PF, a força policial pede que ele seja procurado em 196 países por fraudes fiscais e sonegação de impostos.