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A moda já estava de olho na renda branca desde que Mia Goth surgiu no Oscar vestida de Dior, em um daqueles looks que parecem saídos de um retrato antigo: pele, transparência, romantismo e certa melancolia aristocrática. Dias depois, veio Lea Michele em modelo de Carolina Herrera dando pistas de que havia algo acontecendo com esses vestidos rendados em branco, off-white ou tons de marfim.
Até que Aja Naomi King apareceu em Cannes, de Miu Miu, consolidando o movimento. Mas a coroação definitiva veio nesta quarta-feira, 20, quando Bella Hadid cruzou o tapete vermelho com um Schiaparelli branco de renda hipnótico, feito para ser observado em câmera lenta. Daqueles vestidos que fazem a moda parar por alguns segundos. E assim, eis que a renda branca voltou: silenciosa, delicada, quase fantasmagórica — até se transformar no grande desejo da temporada.

A volta da renda branca, porém, não é tão por acaso. Depois de anos dominados pela estética “quiet luxury”, pelos tons sóbrios e pela alfaiataria limpa, a moda parece desejar emoção — e poucas coisas carregam tanta carga simbólica quanto a renda. Historicamente ligada à feminilidade, ao luxo artesanal e aos enxovais antigos, ela sempre transitou entre inocência e sedução. É o tecido das herdeiras italianas, das noivas francesas, das divas italianas dos anos 1950 e também das mulheres retratadas em pinturas pré-rafaelitas.
A renda branca de 2026 revela o corpo, brinca com transparências, aparece recortada, dramática. É romântica, sim — mas sem tanta ingenuidade. Talvez por isso tenha encontrado terreno tão fértil justamente em Cannes, onde o exagero ainda é permitido e o glamour continua sobrevivendo bravamente.
No Brasil, impossível falar de renda sem pensar em Martha Medeiros, que transformou o tecido em assinatura e patrimônio afetivo da moda nacional. Suas rendas carregam um Brasil sofisticado, artesanal e profundamente feminino — algo que o resto do mundo agora parece redescobrir também.
E não deixa de ser curioso que essa febre aconteça justamente em maio. Porque, sim, esses vestidos têm tudo para virar referência instantânea para noivas. Não necessariamente as clássicas. Mas as noivas modernas, solares, um pouco cinematográficas, que querem parecer menos “princesa” e mais personagem inesquecível, o que, convenhamos, a renda branca faz de melhor: transformar mulheres em memória.
Veja os looks:



