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O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, emitiu uma diretriz ordenando que o estoque de urânio enriquecido do país, que poderia ser usado para a fabricação de uma bomba atômica, não será enviado para o exterior. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Reuters nesta quinta-feira, 21, e representam um endurecimento da posição de Teerã sobre uma das principais exigências dos Estados Unidos para a paz.
“A diretriz do líder supremo, e o consenso dentro do establishment, é que o estoque de urânio enriquecido não deve sair do país”, disse uma fonte anônima com conhecimento do assunto à Reuters. De acordo com o relato, Teerã acredita que enviar o material para o exterior levaria a uma posição de vulnerabilidade, com potencial para futuros ataques de Israel e dos Estados Unidos.
Tal posição representa um sério entrave às negociações de paz entre Teerã e Washington, que se arrastam ao longo das últimas semanas. Autoridades israelenses afirmam que o presidente Donald Trump garantiu a Tel Aviv que qualquer possibilidade de acordo com o Irã deverá incluir a retirada do urânio do país.
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A Agência Internacional de Energia Atômica (AIE) estimava que o Irã possuía 440,9 kg de urânio enriquecido a 60% em suas instalações nucleares em julho de 2025, quando uma breve guerra ocorreu entre Teerã e a coalizão EUA-Israel. Embora Trump tenha anunciado que o conflito conseguiu destruir “totalmente” o programa nuclear iraniano, o tema foi novamente utilizado como justificativa para os ataques de 28 de fevereiro, que desencadearam as hostilidades atuais.
Irã e Estados Unidos estão em um frágil cessar-fogo desde o início de abril, e as negociações sobre uma paz definitiva parecem estagnadas. Fontes ouvidas pela Reuters apontam haver uma percepção em Teerã de que a trégua foi uma estratégia de Washington para criar uma falsa sensação de segurança antes de novos ataques. Trump, por sua vez, afirma que os Estados Unidos pretendem esperar alguns dias para “obter as respostas corretas” antes de retomar bombardeios.
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Autoridades em Teerã afirmam repetidamente que o principal objetivo iraniano é obter garantias críveis de que Washington e Tel Aviv não retomarão as hostilidades no futuro. Somente após obter tais garantias é que tratativas sobre o programa nuclear poderão avançar. Antes do conflito, o Irã havia demonstrado disposição para enviar metade do estoque sob sua posse para o exterior — mas fontes apontam que isso mudou após repetidas ameaças de Trump.
Iniciado na década de 1960, o programa nuclear iraniano há muito é visto como uma ameaça pelas nações ocidentais, com denúncias de que o objetivo do Irã é desenvolver armas nucleares. Teerã nega que seu programa tem fins bélicos, mas ao mesmo tempo enriqueceu urânio a uma taxa de 60%, muito acima do necessário para uso civil e próximo dos 90% necessários para uma arma.