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O ditado diz que o cachorro é o melhor amigo do homem, mas um novo estudo da revista PLOS One mostra que as vacas não ficam para trás nessa lista. De acordo com a pesquisa, esses animais podem não só identificar o rosto de pessoas conhecidas, como também reconhecer suas vozes.
As relações entre seres humanos e seus animais domesticados foram extensivamente estudadas. Referências diversas mostram que animais que vivem em contato direto com o homem — como cachorros, gatos, cavalos — conseguem identificar indivíduos específicos da espécie humana, em especial aqueles com mais proximidade emocional a eles, fato que também acontece com animais da mesma espécie. Ainda assim, o gado, apesar da plena convivência com o homem, não havia passado por testes ou estudos similares que pudessem identificar esse feito.
O artigo, coordenado por Océane Amichaud, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa para Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente (INRAE), analisou a resposta de reconhecimento de vacas com relação ao rosto e voz de humanos conhecidos e desconhecidos por elas. Para a equipe, elas são animais ideais para a análise, já que são sociais, domesticados há mais de dez mil anos e com ótima visão.
34 espécimes de vacas da raça Prim’Holstein foram submetidas aos testes da pesquisa. Um vídeo sem som do rosto de pessoas familiares e não familiares foi mostrado ao gado, e a equipe observou por quanto tempo cada um deles observou as imagens. O resultado dessa primeira fase mostrou que as vacas observavam com mais atenção o rosto de quem elas não conheciam. Após isso, os vídeos foram exibidos com a voz de uma das duas pessoas nas telas. Em resposta, os animais observaram com mais atenção os casos em que a voz emitida pelo alto-falante correspondia ao rosto de um dos vídeos, o que mostrou que os animais podem reconhecer rostos e associar vozes conhecidas a eles.
O estudo concluiu que a capacidade de reconhecimento das vacas, animais de grande conexão com os humanos, vai muito além do simples reconhecimento visual. Não só as imagens, como também as vozes foram fatores importantes para que os animais pudessem identificar quem seria um indivíduo familiar a elas e quem não era. Ainda assim, os pesquisadores deixam claro que, apesar da alta capacidade de identificação, não houve mudanças significativas ao medir os batimentos cardíacos dos animais, o que gerou poucas informações sobre o impacto emocional que identificar alguém familiar tem à espécie.