
Após cenas de homens jogando fora documentos pelas janelas do antigo prédio do Instituto Médico-Legal (IML), os acervos começaram a ser retirados do local, no bairro da Lapa, pelo Arquivo Público do Estado do Rio (Aperj). Nesta quinta-feira, 21, foram recolhidos 196 livros, que somam cerca de 137 metros lineares de documentação, que incluiu material sobre o período da ditadura militar.
Em nota, o governo do estado afirma que, entre os documentos retirados, estão livros de registros de entrada e saída de corpos de 1960 até 1990, plantas do edifício e fotografias da inauguração do prédio. A próxima etapa de recolhimento dos arquivos é prevista para a primeira quinzena de junho.

O Aperj, vinculado à Casa Civil, coordena um Grupo de Trabalho (GT DOPS) formado também pela Secretaria de Polícia Civil, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Ministério Público Federal (MPF) e movimentos da sociedade civil – Coletivo Memória, Verdade e Justiça do Rio de Janeiro e Grupo Tortura Nunca Mais. Desde novembro de 2024, o grupo desenvolve atividades voltadas ao tratamento dos documentos dos antigos prédios do Dops e do IML.
Documentos históricos em risco
Na semana passada, circulou um vídeo mostrando papéis sendo atirados pelas janelas do IML. O trabalho iniciado nesta quinta ocorre após dez visitas de equipes técnicas ao local para identificar a documentação, que reúne acervos de órgãos ligados à Polícia Civil, como a Corregedoria do Estado e o Instituto de Criminalística Carlos Éboli. Todo o material recolhido está em processo de tombamento junto ao Iphan.
Como parte de inquéritos na Polícia Civil, o MPF avalia o processo para a retirada e preservação de documentos referentes a laudos cadavéricos e exames de corpo de delito produzidos entre 1966 e 2009. O governo afirma que documentos anteriores a esse período já se encontram sob guarda do Arquivo Público: são registros desde 1907 até 1965 do antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no Centro
Os registros das décadas de 1930, 40 e 50 são pastas com os arquivos funcionais dos investigadores policiais vinculados às polícias políticas, como DESPS e DPS, órgãos antecessores ao Dops.