Com o crédito rural mais caro e seletivo, empresas e instituições financeiras têm buscado alternativas para manter o financiamento ao produtor.

A estratégia passa por modelos integrados ao ecossistema do agro, uso de dados para análise de risco e criação de linhas voltadas às necessidades específicas de cada cadeia produtiva.

Uma das iniciativas é a da AgroForte, que atua em segmentos como proteína animal, leite e suinocultura. A empresa estrutura operações em parceria com indústrias que recebem a produção dos produtores rurais. A partir de informações compartilhadas sobre desempenho e capacidade produtiva, a fintech modela o risco e cria linhas pré-aprovadas e customizadas.

Segundo Felipe D’Avila, CEO e cofundador da empresa, o modelo busca integrar diferentes agentes da cadeia. “É como um consignado do agro”, afirmou em painel no Rural Summit, em Piracicaba (SP). A proposta conecta produtores, indústrias, revendas de insumos e fabricantes de equipamentos em uma mesma estrutura de crédito. Em operações de prazo mais longo, os recursos podem ser repassados diretamente às revendas, com o objetivo de direcionar o financiamento para investimentos ligados à produção.

Cooperativas

De acordo com D’Avila, o acesso a um volume maior de informações sobre o produtor permite oferecer condições mais ajustadas ao perfil de risco de cada operação.
Outra frente vem das cooperativas. A Coopercitrus criou a fintech Fincoop para ampliar a atuação em serviços financeiros aos cooperados. Inicialmente, a operação teve foco no seguro rural, mas avançou para linhas de crédito voltadas ao financiamento do ciclo produtivo.

Segundo Simonia Sabadin, CFO da Coopercitrus e CEO da Fincoop, a proposta é ampliar o acesso dos produtores a capital subsidiado e apoiar a gestão financeira nas propriedades. “Conseguimos linhas de crédito subsidiadas para que o produtor fique mais capitalizado e esteja preparado para as tantas variáveis do agro”, disse.
Já a E-agro, plataforma criada pelo banco BV em parceria com a Basf, aposta no uso intensivo de dados e integração com o sistema financeiro.

Segundo Klaus Kaiser, gerente sênior de tecnologia e inovação da companhia, o cenário de crédito restrito exige modelos mais conservadores por parte das instituições financeiras. “Mas como conseguimos fazer isso com esse arcabouço e crédito apertado? É o negócio do banco, então é mais conservador. O E-agro nasceu com dados muito pesados, dos bancos com open finance para poder construir a melhor proposta de crédito para o cliente”, afirma.

A empresa também oferece financiamento para revendas e cooperativas que não possuem estrutura própria para criar linhas de crédito. Em 2025, a plataforma registrou mais de 10 mil operações entre crédito rural e CPRs e lançou, durante a Agrishow, soluções voltadas para pessoas jurídicas.

Kaiser afirma, contudo, que o acesso a documentos digitais ainda é difícil, e que a inadimplência é um fator de preocupação para todo o mercado e para a liberação do crédito.

Sabadin, por outro lado, afirma que a estrutura de cooperativas colabora para o acesso aos documentos e informações sobre o produtor, uma vez que participa de operações como a compra de insumos e outras. Para ela, o mais difícil é associar o ciclo da produção com as intempéries do agronegócio, além do custo da operação.



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