A AtlasIntel divulgou nesta terça-feira (19/5) um documento que detalha a metodologia utilizada na pesquisa e no teste de áudio que avaliou a reação da população brasileira às conversas vazadas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A manifestação ocorre após o Partido Liberal (PL) acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) questionando a integridade do levantamento.
A pesquisa aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as intenções de voto no primeiro e no segundo turnos em cenários de disputa contra Flávio, após a divulgação das conversas.
Ao recorrer ao TSE, o PL alegou que o questionário teria sido estruturado de maneira a induzir uma percepção negativa sobre o senador. O partido também questionou a sequência das perguntas e a associação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro.
Na ação, o PL chegou a pedir a apuração de possível crime eleitoral e classificou o levantamento como “fraudulento”.
Em resposta às críticas, a AtlasIntel afirmou que o teste de áudio – realizado por meio da ferramenta Atlas VRC (Video Reaction Curve) – foi aplicado apenas após a conclusão e o envio integral do questionário principal pelos participantes.
A ferramenta usada funciona como uma interface visual em que os entrevistados registram, segundo a segundo, o nível de aprovação ou desaprovação em relação ao conteúdo ouvido. O áudio só avança enquanto o participante mantém um botão pressionado, o que, segundo a empresa, garante uma avaliação contínua de todo o material.
De acordo com a AtlasIntel, nenhum participante teve acesso ao conteúdo do áudio antes ou durante o preenchimento da pesquisa. Na avaliação da empresa, isso afasta qualquer possibilidade de contaminação entre os dois instrumentos de coleta.
A AtlasIntel afirmou ainda que todo o desenho metodológico foi conduzido com “rigor técnico e científico”, orientado pelos princípios de imparcialidade, transparência e integridade metodológica.
O que os dados mostram
Os resultados do teste VRC revelam um cenário de forte polarização política. Em uma escala de 0 (muito negativo) a 1 (muito positivo), em que 0,5 representa neutralidade absoluta, a reação média dos brasileiros permaneceu acima de 0,4 ao longo de todo o áudio. O resultado é interpretado pela própria AtlasIntel como sinal da resiliência da polarização política no país.
O recorte por voto em 2022 evidencia a divisão: eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro avaliaram o conteúdo em torno de 0,55, ligeiramente acima da neutralidade, enquanto eleitores de Lula ficaram próximos de 0,33 durante toda a reprodução.
O dado mais sensível para uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro, entretanto, está entre eleitores de centro, os que votaram branco ou nulo em 2022 e os que não participaram da última eleição.
Esses grupos registraram os piores índices de avaliação do áudio entre todos os segmentos analisados, indicando maior grau de rejeição ou desconforto com o conteúdo das conversas.
A pesquisa, registrada no TSE sob o código BR-06939/2026, foi realizada entre 13 e 18 de maio de 2026. O levantamento ouviu 5.032 pessoas no questionário principal e 1.412 no teste VRC. A margem de erro é de 1 ponto percentual e 3 pontos percentuais, respectivamente, com nível de confiança de 95%.