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De tempos em tempos, o ebola volta a atacar na África e a assustar o mundo. Desta vez, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência internacional após o registro de 246 casos e ao menos 80 mortes suspeitas na República Democrática do Congo e em Uganda. O patógeno identificado no surto monitorado pela entidade é o vírus Bundibugyo, um dos tipos de ebola.
A seguir, o virologista Paulo Eduardo Brandão, professor da USP e colunista de VEJA SAÚDE, esclarece os principais pontos sobre a crise, a doença e o agente infeccioso.
Qual é a gravidade do novo surto?
Até o momento, há 246 casos e 80 mortes suspeitas por ebola, mas o surto ainda está em andamento. A letalidade para essa doença viral é alta, cerca de 50% – ou seja, se 100 pessoas pegarem, 50 tendem a morrer. O que preocupa é que o número de infectados pode vir a ser ainda maior, dadas a extensão territorial afetada e as condições precárias geradas pela guerra civil na República Democrática do Congo.
Quem é o vírus Bundibugyo, envolvido no caso?
Trata-se da espécie viral Orthoebolavirus bundibugyoense, uma das seis de vírus ebola. Ela é o tipo menos virulento dentre os seis conhecidos, mas continua sendo letal e merece toda a atenção da comunidade científica internacional. O Bundibugyo foi descoberto em 2007 no distrito de Bundibugyo, em Uganda, país no qual também há casos no presente surto.
Quais os sintomas e as complicações da doença?
A infecção pelo vírus Bundibugyo inicia-se com sintomas parecidos com os da gripe, podendo evoluir para diarreia e vômitos graves, erupções cutâneas, dor no peito e manifestações hemorrágicas, como sangue nas fezes e sangramento de mucosas. O quadro exige atendimento médico de urgência para não progredir para complicações potencialmente fatais.
Como o vírus é transmitido?
O ebola não é transmitido pelo ar ou pelas vias respiratórias, como o vírus da gripe. A contaminação se dá por contato direto ou indireto com fluidos corporais de alguém infectado.
Há vacina e tratamento disponíveis?
Para o vírus ebola envolvido desta vez, o Bundibugyo, não há vacinas ou medicamentos antivirais aprovados como existem para outros agentes infecciosos dessa família viral – o que não quer dizer que não possam funcionar contra ele também.
Há risco de uma pandemia?
Há potencial epidêmico, mas restrito à região da África onde o surto eclodiu. Não se vislumbra risco pandêmico, uma vez que a doença não se encaixa nos critérios da OMS para uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional ou Pandemia, tais como:
- Ter alta probabilidade de ampla disseminação geográfica;
- Ter alto risco de exceder a capacidade de resposta dos sistemas de saúde dos países afetados;
- Ter alta propensão a causar perturbação social ou econômica substancial;
- Exigir uma ação global coordenada.
Ainda assim, uma colaboração internacional é necessária para acompanhar a evolução do surto e mitigar os impactos sobre a população acometida, que já é tão negligenciada.