Uma década depois de o surto de ebola expor falhas graves na resposta a emergências sanitárias, e anos após a Covid-19 ampliar esses problemas, um novo relatório alerta que o mundo não está seguro e nem preparado para enfrentar futuras pandemias.

O documento foi divulgado pelo Conselho Global de Monitoramento da Preparação nesta segunda-feira (18/5), durante a Assembleia Mundial da Saúde. A análise reúne dados de diferentes crises recentes e conclui que, apesar de alguns avanços, a capacidade global de resposta não acompanhou o aumento dos riscos.

Segundo o relatório, surtos de doenças infecciosas têm se tornado mais frequentes e mais difíceis de controlar. Além de afetar sistemas de saúde, essas crises também provocam efeitos duradouros na economia, na política e no funcionamento das sociedades.

Acesso desigual e respostas tardias

O estudo aponta que um dos principais problemas continua sendo a desigualdade no acesso a ferramentas básicas de combate a doenças, como vacinas, testes e tratamentos.

Um exemplo citado é o da varíola, em que as vacinas levaram quase dois anos para chegar a países de baixa renda após o início do surto. No caso da Covid-19, esse intervalo já havia sido longo, com cerca de 17 meses.

Os pesquisadores também destacam que crises sanitárias recentes abalaram a confiança em governos e instituições científicas. Em muitos casos, respostas politizadas e a circulação de desinformação agravaram o cenário e dificultaram a gestão das emergências.

Outro fator que preocupa é a redução da ajuda internacional. O financiamento para ações de desenvolvimento voltou a níveis que não eram vistos desde 2009, o que limita a capacidade de resposta, especialmente em países mais vulneráveis.

Cenário mais desafiador

O relatório indica que uma nova pandemia encontraria um cenário mais complexo do que o de anos anteriores. Há maior fragmentação entre países, aumento do endividamento e dificuldades para coordenar respostas conjuntas.

“As soluções existem, mas sem confiança e equidade elas não chegam a quem mais precisa”, afirma Kolinda Grabar-Kitarovic, copresidente do conselho. Segundo ela, ainda há tempo para mudar esse cenário, desde que ações concretas sejam implementadas antes da próxima crise.

O documento também chama atenção para o uso de tecnologias como a inteligência artificial. Essas ferramentas podem ajudar na identificação de ameaças, mas exigem regras claras para evitar o aumento de desigualdades.

Para enfrentar esse cenário, o conselho aponta algumas medidas consideradas essenciais, como melhorar o monitoramento de riscos, ampliar o acesso a vacinas e garantir financiamento para ações de prevenção e resposta.

“Se a cooperação continuar se enfraquecendo, todos os países ficarão mais vulneráveis quando a próxima pandemia surgir”, afirma Joy Phumaphi, também copresidente do grupo.

O relatório reforça que decisões em discussão neste ano, como acordos internacionais sobre preparação para pandemias, devem influenciar diretamente a capacidade de resposta global nos próximos anos.



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