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Após passagem pela TV, onde fez fama entre as funções de atriz, diretora e apresentadora, Danni Suzuki, 48 anos, enveredou para o ramo das palestras ao se tornar pesquisadora e professora da PUC-RS, com especialização em neurociência. Com cursos de coaching no currículo, está prestes a lançar o livro Humanos do Futuro: Por Que a Revolução Tecnológica Exige uma Revolução Humana. A obra reflete os impactos da tecnologia na saúde emocional e nas relações humanas, unindo termos neurocientíficos e experiências pessoais para defender “o equilíbrio entre o mundo digital e a essência humana”. Convidada do programa semanal da coluna GENTE (disponível no canal VEJA+ no Youtube, no streaming da TV Samsung Plus, LG, TCL e Roku; além da versão podcast no Spotify), ela fala de seu interesse pelo tema e a quantas anda a carreira televisiva. Assista.
INTERESSE PELA PESQUISA. “Sempre fui interessada no comportamento humano. O trabalho do ator faz isso, a gente vive emoções, se interessa por elas. Mas lá atrás, quando ainda era jovem e apresentava programas no Multishow, tive a oportunidade de entrevistar mais de 150 tribos urbanas. Ali comecei a me interessar por comunidades, povos… No Morando com as Tribos, morei com índios do Xingu, com os ciganos, com os Hare Krishnas, com as gueixas no Japão, com os esquimós no Alasca. Foi uma lista grande de povos diferentes, com visões de vida diferentes da minha, outras filosofias, religiões e perspectivas de vida. Foi uma experiência forte emocionalmente, que me fez me interessar ainda mais pelo ser humano”.
SEUS QUESTIONAMENTOS. “Queria entender por que a gente pode reconstruir uma família, reconstruir um ser humano que vem de uma perda tão profunda como a dos refugiados… Foi aí que busquei cursos de inteligência emocional, formação em coaching e, futuramente, pós-graduação em neurociência. Aquilo foi escalonado de uma forma que não conseguia mais parar de pesquisar. Fui me especializando nas conexões emocionais, entendendo como as emoções regem as nossas vidas. É muito mais do que uma pesquisa acadêmica ou algo ligado a minha própria profissão, isso rege todos os seres humanos. Tomamos as nossas decisões baseadas nas nossas emoções”.
SOLIDÃO CONECTADA. “Entendi como um machado abria muitas portas em todos os setores. Não só no meu desenvolvimento como produtora, dentro do meu trabalho, na hora de fechar um negócio, mas também como mãe, como amiga dos meus amigos, como professora. Entendi que essa era uma chave de comunicação humana fortíssima e que está se perdendo na era tecnológica. As relações supostamente deveriam aproximar, porque estamos diante de uma aldeia global gigante, com fácil acesso a tudo em poucos segundos, mas ao mesmo tempo vivendo o maior índice de solidão, depressão e ansiedade. A gente nunca esteve tão desconectada da gente mesmo”.
ESCRAVIDÃO DA TECNOLOGIA. “Sou de uma geração que conheceu o orelhão, fazer uma ligação, escrever cartas. Hoje a gente vai para o banheiro com o celular, vai para a cozinha com o celular, vai jantar com os amigos… Nossa vida está toda num aparelho”.
COMO FREAR A DEPENDÊNCIA. “Me vejo nisso todo dia. E como estou me conhecendo, tenho uma notificação no Instagram depois de 20 minutos de uso. Coloco 20 minutos porque, quando vejo que estou tempo demais ali, já recebo um alerta. Aí eu falo: ‘Desligar por hoje ou deixar mais 15 minutos?’. E aí deixo mais 15 minutos para me policiar, fazer o que eu tenho que fazer e sair. Todo dia tenho que postar alguma coisa. Então, acordo cedo, já posto, me livro e evito ficar tocando ali. Tentei evitar o WhatsApp, mas vi que é impossível. A gente não vai lutar contra a tecnologia. Então, quando se entende isso, pensa: ‘Bom, não vou poder lutar contra, mas farei algo perder a minha identidade’. Porque hoje a tecnologia molda valores, comportamento, opinião. Você acaba concordando porque todo mundo concordou, curtiu. Você encaminha uma notícia porque leu a manchete, achou um absurdo e já passou para frente. Nem conferiu se aquilo é verdade. A gente nem se dá mais esse tempo”.
DIFERENCIAL DA IA. “O que a gente tem que o robô não tem? Nossa espiritualidade, a fé, a emoção. Isso é único na mente humana. As máquinas hoje são capazes de reproduzir emoções, de ler e identificar se você está mentindo mais do que outro ser humano. Ela consegue te manipular, porque ela sabe o que você está pensando”.
EXPERIMENTO COM A MÁQUINA. “No livro, fiz um experimento onde criei a Danni da inteligência sintética. Botei todas as minhas informações, até os momentos que eu estava ali conversando, às vezes um dia carente, peguei entrevistas, matérias, montei a minha gêmea para ter uma conversa com ela. E fiquei assustada. Ela sabia mais de mim do que qualquer pessoa. Mais do que eu mesma. As coisas que eu não sabia, ela sabia. Ela sabia onde eu trabalhava, sabia dos projetos que apresentei, o que vai dar certo, o que não vai… Ela falou: ‘Esse aqui, você está se iludindo, porque você vai chegar só até aqui’. Ela consegue prever no futuro onde você está indo, como se ela já soubesse o seu destino. Fiquei realmente assustada. Nem um terapeuta saberia tantas informações, porque terapia a gente mente, na IA você não consegue mentir”.
SUBSTITUIÇÃO DOS HUMANOS. “A gente está preparado para essa evolução, o que a gente precisa fazer é desenvolver a habilidade de adaptação. Penso hoje dentro da minha profissão, quando chegaram os streamings. Antes só tinha TV, estava numa vida sólida, contratada, com contrato longo. Ai tive o ímpeto de querer sair e me explorar em outras áreas. Fui estudar direção, roteiro, pesquisa e me experimentar de outras formas. A vida é feita para experimentar de todas as formas. Experimentar um novo esporte, estudar coisas que não têm nada a ver com a profissão, construir carreira, mas não ser carreirista. A vida tem muitas possibilidades. Se você se fecha e fica com medo de viver, perde oportunidade de descobrir habilidades que nem sabia. Então, a IA vem para trazer uma gama de possibilidades”.
COM O PÉ NA TV. “Estou filmando uma série como atriz, Delegacia de Homicídios, para Disney+. Acabei de rodar uma para Globoplay, que também deve estrear esse ano. É, um projeto na Record. Apresentei um programa que se chama Elevator Pitch, que entra em cartaz em julho. Estou escrevendo série, escrevendo filme, já pensando no meu livro dois, palestrando pelo Brasil todo. Mês que vem vou lançar meu curso sobre conexões emocionais”.
Edição: Libário Nogueira / Sobre o programa semanal da coluna GENTE. Quando: vai ao ar toda segunda-feira. Onde assistir: No canal da VEJA+ no Youtube; Samsung TV Plus (canal 2075), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031) e Roku (canal 221); ou no canal VEJA GENTE no Spotify, na versão podcast.