A cidade de Kiev recebeu nesse domingo (17) o primeiro grande show ao ar livre desde o início da guerra contra a Rússia. A banda de rock BoomBox se apresentou para milhares de pessoas no estacionamento de um shopping center na capital ucraniana, em um evento marcado tanto pela euforia do público quanto pelas rigorosas medidas de segurança adotadas diante do risco de ataques.
O correspondente Américo Martins acompanhou o show no local e relatou a atmosfera do evento. Segundo ele, havia “um certo risco no ar”, já que o local era aberto e sujeito a eventuais ataques com drones ou mísseis russos. A escolha do estacionamento do shopping center não foi aleatória: o local conta com três níveis de estacionamento subterrâneo, para onde o público poderia se refugiar em caso de alarme aéreo.
Alarme aéreo logo após o show
O temor se mostrou justificado. Cerca de 20 a 25 minutos após o encerramento da apresentação, um alarme de potencial ataque aéreo foi acionado. “Durante o show, felizmente nada aconteceu”, relatou Américo. O correspondente acrescentou que o evento foi realizado durante o dia justamente porque é à noite que os russos costumam realizar a maior parte dos bombardeios. O alarme foi posteriormente suspenso, sem que nenhuma explosão fosse registrada nas proximidades.
Símbolo de resistência
A banda BoomBox é uma das mais populares da Ucrânia. Seu vocalista, Andriy, ganhou ainda mais notoriedade ao se alistar como voluntário nas Forças Armadas ucranianas no primeiro dia da guerra. Ele também abandonou músicas que havia gravado em russo, deletando-as de seu repertório — uma atitude que reflete um movimento mais amplo em Kiev, onde muitos falantes de russo optaram por deixar o idioma de lado.
Andriy compôs ainda uma música que se tornou uma espécie de hino da resistência ucraniana. Em entrevista a Américo Martins antes do show, o vocalista explicou a importância do evento: “É uma enorme soma de doações para o Exército, que as pessoas contribuem. Se eles querem me ouvir cantar, eu vou cantar […] Não é sobre o show de um grande artista, é mais sobre a reunião de amigos em um lugar, dizendo que não estamos com medo, que vamos fazer o que fazemos.”
Questionadas sobre os motivos de comparecerem ao evento mesmo diante dos riscos, as pessoas presentes responderam que querem continuar resistindo e manter uma vida o mais normal possível. Para elas, estar ali era uma forma de enviar uma mensagem a Moscou de que os ucranianos não pretendem abrir mão de sua rotina. Alguns chegaram a brincar: “Nós somos loucos, e sendo loucos isso indica que a gente pode ganhar essa guerra, porque estamos dispostos a correr esse risco.”