O empresário e ex-advogado responsável pelo Grupo Refit, Ricardo Andrade Magro, é alvo de operação da PF (Polícia Federal) nesta sexta-feira (15). A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Além de Ricardo Magro, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) também é alvo da operação. Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão.
Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de cargos públicos nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.
O Supremo determinou o bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos financeiros do grupo Refit, além da suspensão de atividades econômicas da empresa.
Segundo fontes da PF, a busca se deve dentro das apurações do caso Refit, que revelou um dos maiores esquemas de sonegação de impostos do Brasil.
A antiga refinaria de Manguinhos obteve, em 2023, do então governo Cláudio Castro, um incentivo fiscal para ampliar seu mercado no setor de óleo diesel.
Moraes deu a decisão dentro da ADPF das Favelas, ajuizada no Supremo em 2019 pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), que questiona a violência policial em operações nas comunidades do Rio de Janeiro e busca estabelecer diretrizes para reduzir a letalidade policial.
Segundo a Receita Federal, o Grupo Refit, que sonegou mais de R$ 26 bilhões, é considerado o maior devedor de impostos do país.
O conglomerado estava sendo investigado pelas autoridades após a Operação Carbono Oculto, em agosto de 2025, que investigava a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) e fraudes no setor de combustíveis.
Moraes determinou a inclusão do nome de Ricardo Magro na Difusão Vermelha da Interpol. Com essa inclusão, ele passaria a ser procurado internacionalmente em 196 países.
Após o pedido da Polícia Federal ser enviado à Interpol, a solicitação passará por uma análise. Com base na eventual inclusão, ele pode ser preso em qualquer país que faça parte da rede internacional de polícias.
A CNN Brasil busca contato com a defesa de Ricardo Magro.
Quem é Ricardo Magro
O empresário e ex-advogado responsável pelo Grupo Refit, Ricardo Magro, não reside mais no Brasil: ele mora em Miami desde a década passada.
O alvo da PF comprou a Refinaria de Manguinhos, que usa o nome fantasia de Grupo Refit, em 2008, quando ganhou destaque na mídia.
Magro já apareceu na lista dos brasileiros que mantêm offshores em paraísos fiscais, além de estar envolvido em supostas compras de decisões judiciais do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e ser alvo de investigações da PF (Polícia Federal).
O empresário chegou a ser preso, em 2016, por suspeita de lesar o fundo de pensão Postalis.