
A crise hídrica de 2020 e 2021 segue influenciando os bastidores do setor elétrico. No governo, técnicos do Ministério de Minas e Energia tratam o Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP 2026) como resposta estrutural ao período em que o risco de desabastecimento reforçou necessidade de melhorias do sistema elétrico.
O tema ganhou força após recomendações do Tribunal de Contas da União no Acórdão 1.567/2022, que cobrou mecanismos mais robustos de prevenção para cenários críticos e reforço no planejamento energético. Desde então, estudos do MME passaram a apontar preocupação crescente com a expansão das fontes renováveis intermitentes e a menor capacidade de regularização dos reservatórios.
Nos bastidores da Esplanada, a avaliação é que o avanço acelerado da geração solar e eólica obrigou o governo a buscar fontes capazes de garantir potência firme ao sistema em momentos de baixa hidrologia ou ausência de vento. Foi nesse contexto que o Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência passou a ser tratado como peça central da estratégia energética federal.
O certame contratou quase 19 GW, envolvendo térmicas a gás, carvão e ampliações hidrelétricas para entrega de potência — movimento visto no setor como sinal de pragmatismo diante da necessidade de segurança energética. A equipe econômica também destaca o deságio médio de 5,5% como argumento para defender a competitividade do modelo.
Ao mesmo tempo, técnicos trabalham reservadamente em mecanismos voltados ao armazenamento de energia e à ampliação da flexibilidade operativa do sistema, tema que ganhou prioridade com o avanço das renováveis. Nos próximos dias, o TCU deve se manifestar sobre a etapa atual do LRCAP 2026, decisão acompanhada de perto pelo governo e pelo mercado.