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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos pretende apresentar acusações criminais contra Raúl Castro, ex-presidente de Cuba e irmão de Fidel Castro, que liderou a revolução cubana e liderou o país com mãos de ferro por quase cinco décadas. De acordo com informações obtidas pela agência de notícias Reuters nesta sexta-feira, 5, o indiciamento ainda precisa ser aprovado por um grande júri, mas parecia iminente, informaram fontes.
Não está claro exatamente quais serão as acusações. O canal americano CBS havia noticiado anteriormente que o ex-presidente de 94 anos poderia ser visado pela Justiça devido ao abate fatal de aviões operados pelo grupo humanitário Hermanos al Rescate (irmãos ao resgate, na tradução livre), em 1996. Em fevereiro daquele ano, caças MiG-29 da Força Aérea de Cuba abateram duas aeronaves desarmadas, pertencentes ao grupo fundado por exilados, em espaço aéreo internacional, resultando na morte de quatro pilotos.
Pressão
O governo do presidente Donald Trump classificou o atual governo comunista de Cuba como corrupto e incompetente, e o presidente americano não esconde o apetite de substituí-lo por um que seja mais pragmático e maleável. O indiciamento de Castro viria em meio à crescente pressão sobre Havana, depois que Washington efetivamente impôs um bloqueio à ilha caribenha ao ameaçar com sanções países que exportam combustível para lá. A medida provocou apagões generalizados e prejudicou ainda mais sua frágil economia, levando os cubanos às ruas.
Em paralelo, o Ministério Público dos Estados Unidos, no distrito sul da Flórida, está supervisionando uma investigação para apurar possíveis acusações criminais contra altos funcionários do atual governo cubano. As investigações e a pressão econômica têm prejudicado as negociações entre Washington e Havana que começaram no início deste ano.
No entanto, na quinta-feira 14, o governo cubano confirmou ter se reunido com o diretor da CIA, John Ratcliffe. Ratcliffe disse a oficiais de inteligência em Cuba que os Estados Unidos estavam preparados para dialogar sobre questões de segurança econômica se a ilha fizesse “mudanças fundamentais”, afirmou uma autoridade da agência americana à Reuters.