
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse nesta sexta-feira, 15, que não teve participação na administração financeira do filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e que não tem relação com um fundo nos EUA utilizado para receber dinheiro repassado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Na quarta-feira, 13, o site The Intercept Brasil divulgou um áudio no qual o seu irmão, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pede recursos a Vorcaro para conclusão do filme. Flávio diz que há várias parcelas atrasadas do contrato, estimado em 134 milhões de reais, e pede que o banqueiro “dê uma luz” sobre quando poderia honrar com os pagamentos para que a produção do filme não fosse afetada. Segundo o The Intercept Brasil, aos menos 61 milhões de reais já haviam sido pagos por Vorcaro.
Parte desse dinheiro — há comprovação de ao menos 2 milhões de dólares — teria sido repassada pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos — onde mora Eduardo — e controlado pelo advogado Paulo Calixto, que também trabalha para o ex-deputado.
Depois da eclosão do caso, a empresa produtora de Dark Horse, a Goup Entertainment, sediada nos EUA, negou a participação de Vorcaro ou de “qualquer outra empresa sob seu controle societário” no longa-metragem. “Dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário”, afirma a empresa.
Questionado por VEJA, Eduardo Bolsonaro confirmou os repasses da Entre ao fundo americano e disse que o caminho foi necessário para que não houvesse “perseguição” à produção do filme.
“O que eu consigo enxergar é que tem uma empresa chamada Entre, e ela fazia repasses, ela investia no fundo americano. Por que que o fundo é americano? Porque a gente não pode, a essa altura do campeonato, com todo o respeito ao nosso ouvinte, ao nosso telespectador, fazer um filme do Bolsonaro no Brasil. Se o filme do Brasil Paralelo (produtora de filmes ligada à direita) foi censurado previamente em 2022, imagine agora, onde você tem, com muito mais robustez, um regime instalado para perseguir pessoas do nosso espectro político”, afirmou o ex-deputado.
O parlamentar voltou a dizer, ainda, que o investimento era feito nos Estados Unidos pela Entre, com um CNPJ “diferente do Banco Master”, e que Vorcaro não é o único investidor do filme. Um filme desse nível, ele vai exigir muito investimento. E no Brasil não há segurança jurídica para fazê-lo. Então, toda a estrutura, tudo é feito internacionalmente, inclusive com atores e diretores norte-americanos. A Entre aportava esse investimento nos EUA, é um CNPJ diferente do Banco Master, não há o CPF de Daniel Vorcaro. E isso daí é o que ocorreu. E ele não é o único. Ele é um dos investidores no filme”.
Eduardo explica que uma cláusula de confidencialidade impediria de falar sobre financiadores do filme. “E existe uma cláusula contratual que prevê a confidencialidade. Porque imagine só, ‘vamos fazer um filme do Bolsonaro’. Você vai investir nesse filme, e amanhã todos vão saber quem é você. É lógico que essa pessoa vai sofrer perseguição no Brasil. Então, a única maneira de esse filme ser realizado foi dessa maneira, que inclusive segue a legislação americana. Um fundo tem regras muito rigorosas nos EUA a serem seguidas. E se falássemos o nome de investidores sobre esse filme, nós estaríamos fazendo uma quebra contratual, o que geraria uma multa milionária e por óbvio seria impossível de fazer o filme acontecer”.
Contrato com produtora de filme
Nesta tarde, o The Intercept Brasil divulgou cópias de contrato firmado em novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro de 2024, que coloca ele e o deputado federal Mário Frias (PL-SP) como produtores-executivos do filme, junto com a GoUp Entertainment. O cargo daria a ele poderes para lidar com atribuições como controle de orçamento e gestão financeira da produção cinematográfica.
Logo após a divulgação do contrato, Eduardo gravou um vídeo no qual diz que a sua participação na engenharia financeira do filme resumiu-se à disponbilização de 50.000 dólares (350.000 reais, segundo ele, à época) para que a empresa pudesse fazer um pré-contrato com a equipe do diretor Cyrus Nowrasteh. De acordo com o ex-deputado, o dinheiro teria vindo da sua campanha Ação Conservadora, um site que comercializava material e cursos de um programa de formação política.
“À época, o meu contrato era com a produtora, que disse basicamente: ‘Eduardo, bota esse dinheiro aqui, como o risco está 100% seu, eu vou garantir que você seja diretor-executivo do filme’”, afirmou. Segundo ele, depois que se decidiu criar uma estrutura de fundo para financiar o filme, ele deixou o posto. “Eu saí dessa posição de diretor-executivo, que era um contrato antigo com a produtora, e passei a ser somente uma pessoa que assinou a sua cessão de direitos autorais para que uma pessoa pudesse me interpretar no filme”, afirma.
No vídeo, ele refuta ter recebido qualquer quantia do Banco Master. “Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro de Vorcaro é mentiroso. Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro desse fundo que foi criado nos EUA está mentindo para você. Eu recebi o dinheiro de volta por conta do contrato com a produtora, mas isso não passou pelo fundo. E recebi o dinheiro que era meu”, completa.