Ler Resumo

Para a imagem de Emmanuel Macron, pode ser até positivo ter seu nome associado ao da linda atriz iraniana Golshifteh Farahani, pois corresponde ao estereótipo de francês conquistador. Foi um galanteio virtual – “Eu te acho bonita” – que provocou a divulgadíssima reação de sua mulher, Brigitte, flagrada num empurrão em seu rosto quando se abriu a porta do avião que os levava ao Vietnã. Isso segundo a versão do jornalista Florian Tardif, que escreveu um livro sobre o casal presidencial. Provavelmente nunca saberemos se é verdade, mas o caso acrescenta uma camada adicional de curiosidade sobre a vida de um casal completamente único.

É mais fácil acreditar que Macron tenha se interessado pela atriz do que aceitar o companheirismo e a cumplicidade exibidos por ele e Brigitte. O motivo é a diferença de idade; ele hoje com 48 anos, ela com 73, num relacionamento assimétrico iniciado quando existia uma relação professora e aluno. E do ensino médio ainda por cima.

Um presidente francês envolvido com belas atrizes corresponde mais às convenções. Jacques Chirac teve um envolvimento com Claudia Cardinale, segundo praticamente todos os jornalistas franceses da época – embora nunca tenham se manifestado publicamente sobre o assunto, como era costume na época. François Hollande, com sua cara de santarrão, protagonizou um escândalo quando a mulher descobriu seu caso com a atriz Julie Gayet. A infidelidade foi registrada em foto: Hollande chegando na garupa da moto de um segurança para se encontrar com a amante, hoje promovida a legítima esposa.

Muitos franceses fingem que não ligam para essas coisas, associando-as mais à voracidade da imprensa popular nos países anglo-saxões, mas são exatamente como o resto de nós: têm curiosidade sobre a vida de famosos e de políticos.

SEIOS NA BANDEJA

É possível dizer que Macron sai mais humanizado do episódio? Impossível não é. Macron hoje é um presidente extremamente impopular, com taxa de aprovação na casa dos 20%. Em todos os sentidos, foi uma decepção: não aproveitou o impulso político de sua primeira eleição para promover as reformas que a França precisa fazer para não vergar sob o peso de um estado de bem-estar social cujas contas não fecham.

Continua após a publicidade

Anda tem mais um ano na presidência e uma sucessão incerta, com um jogo não definido entre o candidato da direita lepenista, o jovem e bem falante Jordan Bardella, e o confiável centrista Edouard Philippe.

Em qualquer hipótese, será um fim melancólico para o presidente que tantas esperanças despertou. Ser lembrado por ter levado um tapa da mulher não ajuda muito nessa impressão.

Segundo Florian Tardif, a relação de Macron com a atriz iraniana foi “platônica”, mas chegou “muito longe” na troca de mensagens. Brigitte Macron negou categoricamente que olhe o WhatsApp do marido. Golfisheth, com seu nome exótico, não falou nada. Ela vive hoje entre Ibiza e Portugal. Fez carreira na França, sem deslanchar no cinema americano, como parecia que aconteceria depois do papel de namorada de Leonardo DiCaprio no thriller de espionagem Rede de Mentiras. Ao aparecer de cabeça descoberta na campanha de lançamento do filme, provocou a ira de autoridades do regime teocrático e teve o passaporte cancelado.

Restou-lhe o exílio. Quando fez um filme promocional com o busto aparecendo, um homem que se disse autoridade judicial ligou para seus pais e disse que seus seios seriam cortados e levados a eles numa bandeja. A brutalidade inconcebível dessa ameaça supera qualquer imaginação e coloca Golfisheth num espaço em que dificilmente pode ser atingida por boatos sobre um flerte pelo zap com o presidente francês.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *