Agora a coluna GENTE também está no Instagram. Siga o perfil @veja.gente

Duda Santos, 24 anos, vem se consolidando como um dos nomes mais promissores da nova geração de atores brasileiros, destacando-se pela intensidade dramática, carisma e versatilidade em cena. Com performances marcantes na televisão e no streaming, a atriz conquistou reconhecimento do público e da crítica ao interpretar personagens fortes, sensíveis e conectados a debates contemporâneos sobre juventude, identidade e representatividade. Em seu mais recente papel, a segunda protagonista, vive uma inédita princesa negra na teledramaturgia brasileira, em A nobreza do amor, novela das 6 da TV Globo. Na conversa com a coluna GENTE, entre outros assuntos, a atriz também comenta sobre o romance que vive com o cantor Tiago Iorc

Alika se diferencia na dramaturgia nacional por ser a primeira princesa negra a ser protagonista em uma novela. O quão significativo isso é para você? Quando parei para pensar na personagem, uma mulher preta que foi criada para governar, para ser princesa de um reino, foi cruel em um primeiro momento. Você pensa: ‘Cara, como é que isso poderia ter sido?’. É importante termos esses personagens, faz parte de um enriquecimento de imaginário. Acredito que o audiovisual tem o poder de mudar o mundo, e quero que essa novela faça parte de uma mudança de narrativa, que entregue a crianças negras a possibilidade de sonhar. Se tivesse assistido a uma novela como essa quando criança, teria economizado muito dinheiro com terapia.

Sentia falta de ver princesas negras na televisão? Não sabia nem que era possível ter isso, sabe? Era uma carência de representatividade que eu não entendia muito na época. Venho de uma casa onde todos assistiam a muita televisão e, embora até existissem algumas pessoas pretas na tela, era sempre com narrativas muito limitadas. Lembro que na infância, quando assistia a desenhos animados, me pegava pensando que nunca seria tão feliz quanto aquelas meninas que estava vendo. Eu me comparava muito, e foi um processo longo e dolorido para alcançar a autoestima.

Esse é o seu segundo papel como protagonista, aos 24 anos. Em algum momento, bateu a dúvida se isso era reconhecimento real ou uma demanda do mercado por diversidade? A gente se questiona em algum momento. Demorei para reconhecer minha capacidade, para reconhecer que merecia aquele lugar. Na minha segunda novela, Renascer, lembro de, em alguns momentos, pensar: ‘eu não deveria estar aqui’. Eu não dormia direito por causa do medo da estreia, achava que as pessoas não iam gostar do que eu estava fazendo. E isso vem muito da nossa história, de como o mundo enxerga a gente. 

Continua após a publicidade

O audiovisual brasileiro ainda é majoritariamente comandado por pessoas brancas. Como isso influencia o dia a dia de trabalho? Acontece muito de vermos as histórias de pessoas pretas sendo esvaziadas, a gente já viu coisas muito ruins acontecendo com histórias de pessoas pretas. E por isso acho importante que tenham pessoas pretas em todos os lugares dessa construção. Em todos os serviços, em todos os trabalhos. Pensando, construindo junto. Estamos começando a falar sobre isso, e está começando a acontecer. 

Já foi vítima de preconceito ao longo da carreira? Acho que não. Mas também é complicado, porque quando se trata de racismo no Brasil, parece que a gente está ficando doido. Como é uma coisa estrutural, são coisas que acontecem muito nas entrelinhas, a ponto de você ter dificuldade de falar claramente ‘ah, aconteceu isso naquele dia’. É algo que você sempre fica em dúvida. Às vezes chego em casa e converso com a minha mãe: ‘será que isso aqui foi?’. E normalmente é. 

Que tipo de histórias você quer contar daqui para frente? Tem algum papel que você não gostaria de fazer? Não quero fazer nada que já fiz, e quero fazer todo o restante (risos). Tenho muita vontade de ser uma vilã, sabe? De fazer uma patricinha, uma maluca. 

Continua após a publicidade

Você é candomblecista. Como é sua relação com a religião? Fui criada na Igreja Católica, né? Fiz comunhão, catequese. Ia para a igreja todo domingo. Mas frequento o Candomblé desde meus 15, 16 anos. Comecei a ir com a minha mãe, que me levou para tratar alguns problemas espirituais, e continuo indo desde então. A religião é uma coisa que me move, e eu ainda tenho costumes católicos. Faço a cruz antes de comer, tenho Nossa Senhora na minha sala. É o Brasil do Brasil, né? Aquele sincretismo religioso que mostra que somos formados por um pouquinho de cada coisa.

Como está a vida amorosa? Está ótimo. Estou num momento ótimo da minha vida, muito feliz. Estou num melhor momento da minha vida. Acho que estou me conhecendo, amadurecendo. 

Se define como heterossexual ou foge de rótulos? A gente vai sendo. Não tem que se definir em nada. Quem se define, se limita. O amor é tão grande, é tanta coisa. Às vezes somos uma coisa, daqui a pouco não sei. O futuro é muito incerto. É bom a gente não se limitar tanto.





Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *