As mulheres representam a maioria dos consumidores de livros no Brasil, correspondendo a 61% do total, enquanto os homens respondem por apenas 39%. Apesar disso, quando se observam as listas de livros mais vendidos, são os escritores homens que dominam — uma contradição que revela desigualdades enraizadas no mercado editorial e na própria formação cultural desde a infância.

Uma das explicações para essa disparidade está nos estímulos recebidos ainda na infância. Enquanto as meninas são incentivadas a desenvolver hábitos ligados ao conhecimento, à leitura e à calma, os meninos são direcionados para atividades físicas e de ação, que acabam sendo incompatíveis com a prática da leitura.

Esse condicionamento precoce contribui para que, na vida adulta, muitos homens demonstrem resistência em ingressar no universo da literatura, especialmente no campo dos romances e da ficção.

Masculinidade e resistência à ficção

A resistência masculina à leitura de ficção está também associada a questões de masculinidade. Para Pedro Pacífico, o Bookster, em geral, os homens foram pouco estimulados a lidar com seus sentimentos e com histórias que envolvem amor, intrigas e emoções. Isso gerou uma visão equivocada de que a leitura de romances e ficção seria uma atividade associada ao universo feminino. “A literatura ensina sobre o outro, sobre nós mesmos, sobre a capacidade de respeitar o diferente”, e isso, como se destaca, não tem relação com gênero.

O papel do marketing editorial

O mercado editorial também contribui para perpetuar esse cenário. Como as mulheres são o público consumidor predominante, as estratégias de marketing são majoritariamente voltadas para elas, deixando de lado iniciativas que poderiam atrair o público masculino. Esse ciclo reforça ainda mais a distância dos homens em relação à literatura de ficção.

O que os homens leitores consomem

Quando leem, os homens tendem a optar por livros mais utilitários, com temáticas como empreendedorismo, liderança e biografias de grandes empresários. A literatura e a ficção ficam frequentemente de lado, o que evidencia que a chamada “masculinidade frágil” impacta até mesmo as escolhas no universo da leitura.

A expectativa é de que esse cenário se transforme, com mais autoras mulheres nas listas de mais vendidos e com homens superando o preconceito em relação aos romances e à ficção — um aprendizado que, segundo a análise, dificilmente se encontra em obras de caráter puramente utilitarista.



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