Nos últimos sete dias, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) registrou cerca de 30 ocorrências relacionadas à fintech Naskar Gestão de Ativos. O número já chega no dobro de boletins computados na segunda-feira (11/5), quando havia 15 denúncias.
De acordo com a PCDF, diariamente, a corporação tem recebido denúncias formais por parte de cidadãos da capital. A maioria dos casos se concentra na Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), que deve apurar os casos de forma conjunta.
“As ocorrências relacionadas à empresa [Naskar] estão sendo apuradas pela PCDF. Os registros estão sendo diários”, confirma a corporação.
A primeira ocorrência teria sido registrada em 7 de maio, um dia antes de o Metrópoles revelar que a Naskar não pagou os clientes neste mês e parou de responder contatos, deixando 3 mil investidores aflitos. O valor investido pelos milhares de cidadãos ultrapassa os R$ 900 milhões.
Entenda o caso
- A Naskar Gestão de Ativos é uma fintech com 13 anos de atuação. A empresa operava captando recursos de clientes com promessa de retorno de 2% ao mês, valor muito acima do operado pelo mercado;
- Por exemplo: se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa se comprometeria a cuidar do patrimônio investido pelo cidadão;
- Apesar de o valor prometido ser bem maior do que o praticado por bancos tradicionais, a Naskar atuou durante os 13 anos de existência sem que clientes tivessem problemas;
- Até que, no início da última semana, o pagamento mensal de rendimentos, que era previsto para 4 de maio, não foi realizado;
- Os clientes, então, buscaram contato com os sócios para entender o que estava ocorrendo, mas nenhum respondeu. Os empresários em questão são Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, o ex-jogador de vôlei e apresentador de TV Maurício Jahu;
- Sem contato com os sócios da Naskar, os investidores logo foram ao aplicativo da instituição para verificar se o patrimônio investido ainda estava ali. O app, porém, deixou de funcionar em 6 de maio e ainda não voltou ao ar;
- A Naskar chegou a ter sede no DF e, mais recentemente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Contudo, mudou-se desse local fixo sem informar os clientes, conforme noticiou o Metrópoles no sábado (9/5).
Desde a semana passada, clientes de perfis variados têm procurado o Metrópoles para denunciar o caso. Um único empresário injetou R$ 3,9 milhões na fintech; um bancário aportou R$ 2,3 milhões; um advogado depositou R$ 2 milhões; e um aposentado aplicou R$ 1 milhão. Todos os exemplos são de moradores do DF, embora a empresa tenha atuação no Brasil inteiro.
O taxista Luciano Oliveira, 53 anos, por exemplo, conheceu a Naskar em 2024, por indicação de um colega de trabalho que já era cliente da fintech. Ele vendeu um apartamento da família e investiu os R$ 760 mil do imóvel na instituição.
A estratégia de vida vinha dando certo, Luciano recebia da Naskar cerca de R$ 15 mil mensais referentes aos 2% de juros ao mês. Até que, na semana passada, tudo mudou. “Não consigo mais acessar o aplicativo, e quando procuro os responsáveis pela Naskar, ninguém nos atende”, conta.
“Estou ferrado, angustiado, nervoso, desesperado. Não sei o que fazer, o que pensar. Tive que tomar remédios pra dormir nos últimos dias, estou preocupado com minha mãe porque eu não posso transparecer preocupação para ela”, confessa Luciano. “Estou sem chão.”
O outro lado
Em nota encaminhada na segunda-feira (11/5), a Naskar informou que entrou em contato com os clientes, conforme antecipou o Metrópoles no sábado (9/5).
“A Naskar informa que, neste momento, enviou os e-mails de circularização a toda a base de investidores. A próxima etapa é receber os documentos solicitados para entendimento da situação de cada um. Caso algum investidor não tenha recebido o e-mail, por favor, escreva para o endereço auditoria@sejanaskar.com.br”, diz a instituição, sem dar qualquer prazo de quando devolverá o dinheiro dos clientes.