A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga o advogado Guilherme Aguiar Alves, 35 anos, suspeito de aplicar golpes usando o que ele chamava de “aporte jurídico”. Pelo menos 30 vítimas também são advogados e denunciam um rombo que chegaria à casa dos R$ 3 milhões.

O Metrópoles teve acesso a dezenas de Boletins de Ocorrências registrados no  na 20ª e 14ª Delegacia de Polícia (ambas no Gama), além de processos que correm na esfera cível.

De acordo com os relatos, o advogado dizia às vítimas que precisava de dinheiro para fechar contratos jurídicos, comprar sistemas processuais ou executar demandas milionárias do escritório paulista. Em troca, prometia devolver os valores com juros altos em poucos meses — em alguns casos, mais que o dobro do dinheiro investido.

A reportagem tentou contato com Guilherme Aguiar Alves, que alegou estar sem condições de responder aos questionamentos feitos pelo Metrópoles por motivos de saúde. O espaço segue aberto e o texto será atualizado tão logo uma resposta seja emitida.

Enterro falso

Um dos casos começou em outubro de 2025, quando um advogado de 34 anos transferiu R$ 50 mil após ser convencido a participar do suposto investimento ligado a um escritório em São Paulo. Ele dizia que manteria parceria de longa data com a banca e prometia transformar o valor em R$ 220 mil.

Após a transferência, o investigado levou a vítima a São Paulo sob a promessa de uma reunião com os sócios do escritório. No entanto, o encontro nunca aconteceu. No local, ele afirmou que o escritório estava vazio porque um dos sócios havia morrido e todos estariam em um enterro, o que levou a vítima a retornar a Brasília sem qualquer contato com a empresa.

Depois disso, começaram os atrasos. O investigado passou a dizer que os pagamentos ocorreriam junto à entrega de um iPhone, que seria usado na operação do suposto escritório. Em seguida, alegou erro na compra do aparelho e prometeu que um contador faria as transferências. A vítima recebeu apenas pouco mais de R$ 14 mil, amargando um prejuízo estimado em R$ 35,2 mil.

Carro como penhora

Em outra frente da investigação, uma moradora do Distrito Federal, de 36 anos, relatou ter investido R$ 80 mil em um suposto negócio ligado à compra de um “sistema de processos judiciais”. O investigado prometia retorno de 100%, chegando a cerca de R$ 160 mil.

Ao longo dos meses, ela recebeu seis repasses que somaram aproximadamente R$ 106 mil, o que reforçou a confiança no negócio. Em novembro de 2025, porém, os pagamentos foram interrompidos. Ele alegou falta de recursos e prometeu regularizar a situação.

Para assegurar a dívida, entregou um Renault Captur à vítima. Depois, ela descobriu que o veículo tinha procuração de venda para outra pessoa e rastreador instalado. O caso ainda se ampliou quando o marido dela também entrou na negociação, transferindo R$ 30 mil com promessa de retorno de R$ 60 mil em dois meses — valor que não foi integralmente pago.

Atrasos e justificativas

Em outro episódio, um advogado de 39 anos afirma ter sido vítima em setembro de 2025. Ele transferiu R$ 50 mil após assinar uma confissão de dívida, com promessa de retorno de R$ 200 mil em quatro meses.

O primeiro pagamento deveria ocorrer em novembro de 2025, mas não aconteceu. A partir daí, o investigado passou a apresentar uma sequência de justificativas, incluindo atrasos de parceiros em São Paulo, problemas operacionais, crises de saúde, internações, separação conjugal, conflitos familiares e até acidente de trânsito.

Em determinado momento, repetiu a versão de que um sócio do escritório paulista havia morrido, reforçando a narrativa já usada em outro caso. Também teria pressionado a vítima a não registrar ocorrência policial.

Apesar disso, foram feitos apenas dois pagamentos parciais, de R$ 10 mil e R$ 5 mil, totalizando R$ 15 mil. O prejuízo estimado é de cerca de R$ 35 mil.

 



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