Ao abrir fogo contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-governador Romeu Zema (Novo) abriu também uma rachadura dentro do próprio partido. A fissura provocada pelas críticas do mineiro ao parlamentar apareceu não em Minas Gerais ou no Rio de Janeiro, redutos políticos dos envolvidos, mas no Paraná e em Santa Catarina, onde as duas legendas fecharam estreitas alianças para as eleições de 2026.

A origem do imbróglio é o vídeo publicado nas redes sociais por Zema na última quarta-feira, 13, no qual chama de “tapa na cara” a atitude de Flávio Bolsonaro em pedir recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”, declarou o ex-governador.

Nesta quinta-feira, 14, o diretório do Novo no Paraná afirmou que a publicação de Zema foi “precipitada e gerou ruídos desnecessários em alianças já estabelecidas”. No comunicado enviado à imprensa, a executiva paranaense do partido se queixa de que as declarações do mineiro não foram previamente alinhadas com a convenção nacional da sigla.

Na mesma nota, o partido Novo no Paraná reitera o pedido de instalação de uma CPMI do Banco Master no Congresso e reforça que “a aliança entre PL e Novo no Paraná permanece sólida”, a despeito da ofensiva de Zema contra o PL. “Unidos pela oposição ao PT e ao ideário da esquerda, seguimos confiantes na força desse projeto”, diz o posicionamento.

A parceria entre as legendas no Paraná foi sacramentada em março de 2026, quando o Novo rompeu formalmente a coligação que compunha com o PSD, do governador Ratinho Júnior, para embarcar na campanha do senador Sergio Moro, recém-filiado ao PL, ao governo do estado. Como efeito colateral, o Novo no Paraná passou a apoiar também a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto, a despeito da decisão de Zema de permanecer na corrida como presidenciável.

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Em SC, deputada bolsonarista pede fim de aliança com Novo após fala de Zema

Os disparos de Zema contra Flávio Bolsonaro também estremeceram as relações entre os partidos em Santa Catarina, outro estado-chave para o bolsonarismo. No xadrez político catarinense, o governador Jorginho Mello (PL) busca a reeleição em chapa composta com Adriano Silva (Novo), ex-prefeito de Joinville.

Em resposta ao vídeo de Zema, a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) defendeu um rompimento total entre seu partido e o Novo, acusando o ex-governador mineiro de “pisotear na cabeça” de Flávio Bolsonaro. “Até ontem [Zema] queria ser vice. Se eu fosse presidente do PL iria desfazer imediatamente qualquer acordo em qualquer estado com o Novo como resposta”, publicou a parlamentar nas redes sociais na quarta-feira, 13.



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