
Milhares de cubanos foram às ruas de Havana na noite desta quarta-feira, 13, em protestos contra os apagões que deixaram bairros inteiros sem eletricidade por até 40 horas consecutivas. A crise energética, considerada a mais grave em décadas, se agravou após o endurecimento do bloqueio dos Estados Unidos às importações de combustível para a ilha.
Segundo dados oficiais obtidos pela agência de notícias AFP, 65% do território cubano sofreu cortes simultâneos de energia nesta terça. Enquanto moradores batiam panelas e erguiam barricadas improvisadas, o governo de Cuba admitiu que o país está sem reservas de diesel e óleo combustível.
A situação se deteriorou nos últimos meses após o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endurecer o bloqueio econômico contra Cuba e ameaçar impor tarifas a países que fornecessem petróleo à nação caribenha. Desde então, fornecedores tradicionais como México e Venezuela — sob pressão americana, após a queda do ditador Nicolás Maduro — interromperam o envio de combustível.
Em paralelo, Havana avalia uma oferta de ajuda humanitária de US$ 100 milhões (mais de R$ 500 milhões) feita por Washington. Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a proposta prevê que os recursos sejam distribuídos por meio da Igreja Católica. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que o governo está “disposto a ouvir os detalhes da proposta e a forma como seria implementada”.
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Sem reservas
Nesta quinta-feira, o ministro de Energia e Minas de Cuba, Vicente de la O Levy, afirmou à televisão estatal que o país ficou sem reservas de diesel e óleo combustível. “Não temos absolutamente nenhum combustível e absolutamente nenhum diesel”, declarou. Segundo ele, o sistema elétrico entrou em estado “crítico”.
A empresa estatal Unión Eléctrica informou que uma falha no sistema provocou uma desconexão entre as regiões de Ciego de Ávila e Guantánamo, afetando ao menos metade do território cubano. A principal termelétrica do país, Antonio Guiteras, também saiu de operação.
Os cortes de energia se intensificaram nesta semana. Em Havana, bairros registraram até 20 ou 22 horas diárias sem eletricidade. Em províncias do interior, moradores relatam dias inteiros sem fornecimento regular.
Na semana passada, a Organização das Nações Unidas (ONU) classificou as restrições americanas às importações de combustível de Cuba como ilegais, afirmando que elas comprometem direitos básicos da população, como acesso à alimentação, saúde, educação, água e saneamento. Trata-se de uma das suas piores crises econômicas desde o colapso da União Soviética em 1991.