O dólar registrou queda de 0,45% frente ao real, cotado a R$ 4,98, nesta quinta-feira (14/5). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 0,72%, aos 178,3 mil pontos.

Os dois resultados foram definidos por analistas com movimentos de ajuste depois do choque provocado nos mercados de câmbio e ações na véspera. A turbulência ocorreu com a divulgação da mensagem e áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociando R$ 134 milhões com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para produzir um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro.

Diante dessa informação, o dólar disparou 2,31%, chegando a R$ 5,00. O Ibovespa, por sua vez, afundou 1,80%, aos 177 mil pontos. O episódio passou a ser chamado de “Flávio Day 2”. O “Flávio Day 1”, a primeira versão desse roteiro, ocorreu em dezembro com a confirmação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Na ocasião, o Ibovespa afundou 4,2% e o dólar subiu 2,28% em um só pregão.

Trump na China

Nesta quinta-feira, no cenário internacional, os investidores repercutiram o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, em Pequim. A Casa Branca definiu, em nota, que a reunião foi “boa”. O comunicado não citou Taiwan e disse que os dois líderes concordaram que o Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, deve permanecer aberto.

Com isso, o preço internacional do petróleo manteve-se perto da estabilidade. O barril do tipo Brent, a referência internacional, teve leve alta de 0,09%, a US$ 105,72. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o mercado nos Estados Unidos, subiu 1,15%, a US$ 101,17 por barril.

Varejo nos EUA

Também foram divulgados nesta quinta-feira números sobre o varejo nos Estados Unidos. Tais dados são importantes porque emitem sinais para o mercado sobre o comportamento futuro dos juros no país. Ou seja, indicam se pode existir espaço ou não para cortes nas taxas. Pois as vendas do setor avançaram 0,5% em abril, em linha com as expectativas do mercado, no terceiro mês seguido de alta, o que mostra uma atividade ainda aquecida.

Bolsas no mundo

Em um cenário mais tranquilo em relação aos últimos dias, as bolsas da Europa voltaram a fechar majoritariamente em alta. O índice europeu Stoxx 600 subiu 0,69%. O DAX, de Frankfurt, avançou 1,32% e o FTSE 100, de Londres, registrou elevação de 0,46%. O CAC 40, CAC 40, valorizou 0,93%.

Os principais índices de Nova York também refletiram um maior apetite por risco. Às 16h50, eles subiam em bloco. A alta era de 0,75%, no S&P 500; de 0,73%, no Dow Jones; e de 0,88%, no Nasdaq, que concentra um maior número de ações do setor de tecnologia – responsável por boa parte do resultado positivo das bolsas americanas na sessão.

Análise

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar devolveu no pregão desta quinta-feira parte da forte alta da véspera, em um movimento de ajuste após o estresse político envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

“Depois de o mercado reagir inicialmente ao aumento das incertezas eleitorais e fiscais, levando o dólar novamente acima de R$ 5,00, o câmbio passou a corrigir parte do movimento, acompanhando também um ambiente externo mais favorável”, diz. “Houve melhora moderada do apetite por risco, queda dos rendimentos longos dos Treasuries (os títulos da dívida americana) e sinais mais construtivos na reunião entre Trump e Xi Jinping. Ainda assim, o mercado seguiu cauteloso, monitorando os desdobramentos políticos locais e o potencial impacto sobre a percepção de risco doméstico.”



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