A 79ª edição do Festival de Cannes começou nesta semana e vai até o dia 23 de maio na badalada Riviera Francesa, onde astros do cinema mundial vão apresentar seus novos filmes – os quais devem fazer barulho ao longo do ano nas salas e em futuras premiações. Pena que, desta vez, o Brasil ficou de fora do evento, após uma sequência notável de títulos bem recebidos por lá nos últimos anos. O destaque, claro, ficou com O Agente Secreto, que levou em 2025 dois prêmios da competição principal – de melhor diretor e ator, para Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura, respectivamente –, além de honrarias paralelas, como o cobiçado prêmio da crítica internacional, o FIPRESCI. Confira a seguir quais outros longas-metragens brasileiros saíram premiados do evento em sua história.
Palma de Ouro
Em 1962, O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, tornou-se o primeiro — e até hoje único — filme brasileiro a receber a Palma de Ouro, o prêmio máximo do Festival de Cannes.

Prêmio do Júri
Outra honraria de prestígio do festival é o Prêmio do Júri, que foi concedido a Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, em 2019.
Direção
Glauber Rocha foi o primeiro latino-americano a receber o prêmio de melhor direção em Cannes, em 1969, por O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro. Em 2025, Mendonça Filho conquistou o mesmo troféu por O Agente Secreto.
Atuação
Wagner Moura foi o primeiro e único brasileiro a levar o prêmio de melhor ator em Cannes, por O Agente Secreto. Entre as mulheres, duas brasileiras ganharam como melhor atriz: Fernanda Torres, em 1986, por Eu Sei que Vou Te Amar, e Sandra Corveloni, em 2008, por Linha de Passe.
Dois atores brasileiros também foram premiados em mostras paralelas do festival: Rodrigo Santoro recebeu o Troféu Chopard de revelação em 2004, com Carandiru; e Ricardo Teodoro venceu, em 2024, o prêmio de melhor ator revelação da Semana da Crítica por Baby.
Melhor filme de aventura
Hoje extinta, a categoria de melhor filme de aventura premiou, em 1953, O Cangaceiro, de Lima Barreto.
Un Certain Regard
Traduzida em português como “Um Certo Olhar”, a mostra paralela é uma das mais prestigiadas de Cannes por destacar filmes de linguagem inventiva e propostas autorais. O Brasil já venceu prêmios na seção com os seguintes títulos:
A Flor do Buriti — melhor elenco
A Vida Invisível — prêmio principal da mostra
Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos — prêmio especial do júri
O Sal da Terra — prêmio especial da mostra
Eu, Tu, Eles — menção especial
Prêmio da Crítica (FIPRESCI)
Além de O Agente Secreto, outros filmes brasileiros foram premiados pela Federação Internacional de Críticos de Cinema: Terra em Transe, de Glauber Rocha, em 1967; Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, em 1984; Gaijin: Os Caminhos da Liberdade, de Tizuka Yamasaki, recebeu uma menção honrosa, em 1980; e Bacurau, em 2019.
Prêmios paralelos
Em 1963, Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, venceu o hoje extinto prêmio OCIC, voltado a filmes de forte conteúdo humanista. Em 2005, Cidade Baixa, de Sérgio Machado, recebeu o Prix de la Jeunesse, enquanto Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, venceu o Prix de l’Éducation Nationale. Já em 2016, o documentário Cinema Novo, de Eryk Rocha, tornou-se o primeiro filme brasileiro a conquistar o L’Œil d’Or (o olho de ouro, em tradução direta), prêmio dedicado ao melhor documentário apresentado em todas as mostras do festival.