
Com um repertório que inclui mais de 1000 músicas, Paulinho da Costa, de 77 anos, será a primeira pessoa nascida em solo brasileiro a receber uma estrela na prestigiosa Calçada da Fama, em Hollywood, nesta quarta-feira, 13 de maio. Consagrado como um dos maiores percussionistas do mundo, o músico colaborou com artistas como Michael Jackson, Aretha Franklin, Madonna e Elton John ao longo de mais de 50 anos de carreira. Nascido na zona norte do Rio de Janeiro, em 1948, ele começou sua história com a música ainda na ala jovem da bateria da escola de samba Portela, o que rapidamente lhe rendeu destaque e uma oportunidade no exterior. Vivendo em Los Angeles desde meados dos anos 1970, Paulinho falou a VEJA sobre o reconhecimento por sua trajetória e conquistas marcantes que na carreira.
O que leva como aprendizado até os dias atuais com sua experiência na música desde jovem? Mesmo começando muito cedo, eu tive que me esforçar muito no sentido de nunca perder o foco. Todo dia eu praticava o máximo que podia. Sem parar mesmo. Quando eu comecei a aprender o pandeiro, eu praticava até a mão sangrar. Então só talento não basta. Tem que trabalhar muito e levar tudo a sério. Isso é um ensinamento que vale pra vida inteira. Quer ser bom no que você ama? Talento ajuda, mas sem foco e profissionalismo você não chega a lugar nenhum. Agora, falando da música e do samba, o que eu posso dizer é que essa minha escola [Portela] está dentro de mim até hoje. Se você ouvir as músicas que gravei com grandes artistas mundiais, dá pra ouvir um pouco da nossa brasilidade lá. É essa mistura que faz a música mundial ficar mais interessante.
Como enxerga essa honraria da estrela na Calçada da Fama agora, aos 77 anos? Eu nunca me preocupei com a fama. Sempre foquei no meu trabalho e no profissionalismo. As pessoas ao meu redor estavam nos holofotes e sempre fui muito feliz pela fama deles. Mas pra mim a fama nunca quis dizer muito. Se eu estava fazendo um bom trabalho e os artistas com quem colaborei estavam felizes, eu também estava feliz. Eu enxergo essa homenagem na calçada da fama em Hollywood como um grande reconhecimento de toda minha história na música. Do reconhecimento do talento, da ética e do profissionalismo que tive em toda minha carreira.
Qual considera a maior conquista de sua carreira? Conquistei uma coisa muito difícil na indústria da música: estar sempre presente e me manter relevante em todas as fases da minha carreira. E olha que são mais de 60 anos tocando percussão. Tenho recordações ótimas de todos os projetos que participei – e não foram poucos. É difícil não falar da parceria que tive com Michael Jackson. Nos conhecemos antes dele começar a trabalhar com o Quincy Jones. Participei de mais de 40 músicas dele e acredito que consegui imprimir uma sonoridade bem característica nelas. Uma espécie de assinatura musical, com bastante brasilidade. Participar das gravações com ele e com toda a equipe era estar fazendo parte de uma grande família. Éramos muito felizes não só com o resultado musical mas também com as nossas relações de amizade e respeito.
O que sente que mudou na forma como se faz música hoje em dia? O jeito de fazer música com certeza vem passando por grandes transformações. Mas no fim do dia o que importa mesmo é o seu talento para fazer um bom ritmo, uma boa harmonia ou uma boa melodia. Hoje em dia existem muito mais ferramentas para fazer música. O que realmente faz a diferença numa boa música é a essência humana.
Como foi sair do Brasil pela primeira vez para trabalhar com a música? Eu não poderia ter me sentido mais feliz. O meu passaporte para conhecer o mundo foi uma das minhas maiores paixões: a música. Nunca poderia imaginar que os batuques na mesa da cozinha da minha mãe poderiam me levar tão longe. Vi culturas diferentes, ouvi músicas tradicionais e visitei países que nunca sonhei em conhecer. Tudo isso ajudou muito na minha bagagem cultural, que depois se transformou em música também. Que jornada!
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