Os passageiros que estavam no navio Hondius, que registrou 11 casos de hantavírus, foram repatriados. Agora, cabe a cada país determinar qual deve ser o protocolo para lidar com o surto.

Dos 11 casos, nove são confirmados e dois são prováveis de estarem ligados ao cruzeiro. “No momento, não há indícios de que estejamos presenciando o início de um surto maior. Mas, é claro, a situação pode mudar. E, considerando o longo período de incubação do vírus, é possível que vejamos mais casos nas próximas semanas”, disse o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma coletiva de imprensa. Nenhuma nova morte foi relatada desde o dia 2 de maio.

É esperado o desembarque de 147 passageiros do navio, em uma operação de repatriação cuidadosamente planejada e dividida em grupos, envolvendo países como Bélgica, França, Alemanha, Irlanda, Estados Unidos, Reino Unido e Holanda. “São países altamente desenvolvidos preparados para receber esses pacientes e que já tiveram a última semana para desenvolver protocolos específicos sobre como atender essas pessoas e como prevenir a disseminação da doença”, avalia a infectologista Lilian Ávilla.

Ela ressalta também que, para ocorrer a transmissão de pessoa para pessoa, é preciso que se tenha um contato prolongado e próximo. A infecção, portanto, fica mais difícil de ocorrer com a transferência dos pacientes para serviços de saúde especializados em países diferentes.

“Então, mesmo que haja pequenas diferenças entre um protocolo e outro a depender do país, ainda assim não há uma expectativa de que isso ofereça um risco ou uma chance maior de que o vírus se espalhe”, complementa. “Cada país vai desenvolver os seus próprios mecanismos e formas de lidar com a situação, a depender do número de pacientes que eles receberem e do acompanhamento que for feito.”

O Reino Unido, por exemplo, colocou os cidadãos britânicos em isolamento de 45 dias em instalações diferentes equipadas com quartos, banheiros, cozinhas e sala de estar. Já o CDC (Centro de Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos vem recebendo críticas pela demora em emitir orientações diante dos casos confirmados.

Dezoito americanos estavam a bordo do navio e eles foram levados a dois centros de tratamento diferentes. Dois deles foram expostos ao vírus, desembarcaram antes do navio e retornaram para seu estado de origem.

Medidas de segurança

A hantavirose geralmente começa com sintomas semelhantes aos da gripe, como fadiga e febre, de uma a oito semanas após a exposição, segundo o CDC. De quatro a dez dias depois, surgem tosse, falta de ar e acúmulo de fluido nos pulmões. O diagnóstico nas primeiras 72 horas de infecção é difícil, portanto os sintomas podem ser facilmente confundidos com os de uma gripe comum.

A OMS disse continuar a considerar baixo o risco de que a situação evolua para uma pandemia global, mas é importante continuar com as medidas de prevenção.

“É uma situação que está em evolução e ainda vão haver atualizações ao longo das próximas semanas, que serão fornecidas tanto pela Organização Mundial de Saúde quanto pelos países envolvidos. Mas, ainda assim, a expectativa é de que não evolua para algo mais grave”, completa Lilian.

O hantavírus pode provocar uma série de sintomas graves dependendo da infecção causada nos pacientes.

  • manter locais fechados, depósitos e alimentos protegidos contra ratos;
  • evitar acumular lixo e entulho;
  • ventilar ambientes fechados antes da limpeza;
  • não varrer locais com sinais de roedores, para evitar levantar partículas contaminadas;
  • fazer limpeza com água sanitária ou desinfetante adequado;
  • utilizar máscaras e luvas em locais de risco, especialmente em áreas rurais.

 

 



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