O embaixador do Brasil junto à UE (União Europeia), Pedro Miguel da Costa e Silva, rebateu nesta terça-feira (12) a narrativa do setor agrícola europeu de que produtos brasileiros não cumprem os padrões sanitários do bloco.
Para o diplomata, a própria presença do Brasil no mercado europeu derruba o argumento.
“O grande problema que nós temos aqui no mercado europeu é a narrativa de alguns agricultores europeus e de alguns países membros que dizem que nós não cumprimos os padrões europeus. O que evidentemente não é verdade. Se nós estamos lá e somos grandes fornecedores de produtos agropecuários, é porque cumprimos e temos qualidade”, afirmou, em videoconferência em um encontro com jornalistas da imprensa internacional no Brasil.
Costa e Silva também criticou a condução do diálogo entre Brasil e UE, que classificou como insuficiente.
“Para mim, a principal queixa aqui na União Europeia é que o diálogo deveria ser um pouco melhor, deveria haver mais troca de informações, o diálogo deveria ser mais fluido”, disse.
O diplomata deixou claro onde está, na sua visão, a linha entre norma sanitária legítima e protecionismo disfarçado.
“O problema surge quando as exigências não são proporcionais, não são razoáveis. Aí sim pode-se configurar uma medida protecionista”, afirmou.
A UE publicou nesta terça uma atualização da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal ao bloco — da qual o Brasil foi retirado.
O argumento europeu é que o país não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na criação animal. A medida passa a valer em 3 de setembro.
Costa e Silva afirmou que o caso não se resume ao uso de antibióticos, mas à falta de documentação que comprove os mecanismos de controle sanitário exigidos pelo bloco.
“Eu tomei conhecimento dessa informação hoje, no final da manhã. Eu não tenho detalhes, eu só recebi a notícia, que é muito negativa”, disse.
Para entender os motivos formais da exclusão, o diplomata disse que se reunirá com autoridades europeias na quarta-feira (13).
“Amanhã eu espero receber uma explicação de por que nós fomos excluídos”, frisou.