O deputado Marcelo Queiroz (PSDB-RJ) entrou na mira da Polícia Federal por contratos milionários firmados por ele quando era secretário estadual de Agricultura do Rio, entre 2019 e 2022, nas gestões do ex-governadores Wilson Witzel e Cláudio Castro. As contratações sob suspeita somam 193 milhões de reais. 

A pivô que arrastou o deputado para o centro das investigações foi Camila Costa da Silva, ex-subsecretária de Proteção e Bem-Estar Animal, suspeita de fraudar as licitações. Quando a investigação teve início, em dezembro de 2024, ainda sob a responsabilidade da Polícia Civil do Rio, a Justiça autorizou buscas na casa de Camila. Ela estava sem celular no momento da batida, o que despertou suspeitas. A subsecretária alegou que o telefone tinha quebrado e, por isso, havia sido descartado. Os policiais ativaram o serviço de localização remota e descobriram que o aparelho estava no apartamento da mulher do deputado, Anna Caroline Vianna Dupret dos Santos, no Flamengo, zona sul do Rio. Uma equipe compareceu no imóvel, mas Anna Caroline se recusou a atender os policiais.

Os investigadores descrevem Camila como “pessoa de confiança” do deputado. “Sem o celular, objeto fundamental para a desarticulação da organização criminosa, foi determinado, por precaução, o retorno dos policiais, pois poderia ser residência de uma pessoa com eventual foro por prerrogativa de função”, diz um trecho do relatório policial.

Ao tomar conhecimento da situação, a Justiça do Rio enviou a investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF), em razão do foro privilegiado do deputado. O inquérito foi distribuído ao ministro Flávio Dino, que autorizou as buscas cumpridas nesta terça na Operação Castratio. “São múltiplos os indicativos de que a diligência requerida pela autoridade policial encontra suporte empírico suficiente nos elementos informativos angariados até o presente momento”, diz a decisão.

O patrimônio do deputado cresceu 665% entre 2022 e 2024, segundo informações apresentadas por ele à Justiça Eleitoral. Queiroz declarou ter 7,6 milhões de reais em bens na última eleição, o que também chamou a atenção dos investigadores. A informação consta na representação da Polícia Federal que pediu autorização do STF para as buscas.

A PF investiga agora se ele tem efetivamente envolvimento nas fraudes, como líder ou beneficiário dos supostos desvios. “Ao que tudo indica, a Secretaria, chefiada inicialmente pelo deputado federal, Marcelo Queiroz, foi dominada por uma verdadeira organização criminosa”, diz a investigação.

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No centro dos contratos suspeitos está a Consuvet, empresa ligada a Antônio Emílio Santos, que foi servidor da Secretaria de Agricultura entre outubro de 2019 e janeiro de 2023, e depois entrou no quadro societário da companhia. Para os investigadores, ele “desempenhou um papel crucial na manipulação interna para favorecer interesses particulares”. Constituída em julho de 2021, com capital social de apenas 20 mil reais, a empresa firmou, nos quatro meses seguintes, acordos com a secretaria que somam mais de 8,3 milhões de reais. Se contados os contratos celebrados até 2023, o montante ultrapassa os 193 milhões.

Dessa engrenagem ilícita participavam inúmeros agentes públicos, um deles Marcelo Queiroz, então titular da mencionada Secretaria e atualmente ocupante do cargo de Deputado Federal. Foi em sua gestão que ocorreram as primeiras fraudes licitatórias e que se autorizaram aditivos contratuais que elevaram substancialmente, sem fundamentação técnica, os valores dos contratos firmados com a Consuvet”, diz a Polícia Federal.

Em nota, a defesa do deputado afirma que a investigação se baseia em “alegações infundadas” e que ele “está à disposição para prestar todos os esclarecimentos”. A Consuvet, por sua vez, disse que atua com “total transparência” e que colabora com as autoridades.



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