A costa leste do Nordeste deve receber volumes elevados de chuva até o próximo domingo (17). Capitais como Recife, João Pessoa, Fortaleza e São Luís podem registrar acumulados entre 100 mm e 150 mm no período, aumentando o risco de alagamentos, enchentes e deslizamentos de terra.
Segundo a agência de meteorologia Climatempo, a situação mais crítica é esperada para as regiões metropolitanas de Recife e João Pessoa. Nas duas capitais, o acumulado de chuva dos primeiros 12 dias de maio já superou a média histórica prevista para todo o mês.
Em João Pessoa, foram registrados 326,4 mm de chuva entre 1º e 12 de maio, acima da média histórica de 288 mm para o mês inteiro. Em abril, o acumulado chegou a 557 mm, mais que o dobro da média climatológica de 236 mm. Segundo dados do Cemaden, a região de Bayeux/São Bento acumulou 570,4 mm no mês passado.
Já em Recife, a região de Nova Descoberta registrou 386,9 mm apenas nos primeiros 12 dias de maio, acima da média mensal de aproximadamente 320 mm. Em abril, o acumulado foi de 518,8 mm. Dados do Cemaden apontam volumes entre 300 mm e 600 mm em diferentes áreas da Grande Recife, com destaque para Olinda, onde choveu 604 mm.
O excesso de chuva acumulado desde abril deixa o solo encharcado e eleva os níveis de rios e canais, cenário que aumenta o potencial para ocorrências como deslizamentos de encostas, transbordamentos e alagamentos urbanos.
De acordo com a Climatempo, a chuva intensa é provocada pela atuação de uma nova onda de leste próxima ao litoral da Paraíba e de Pernambuco. Ventos marítimos mais intensos aumentam a entrada de umidade, enquanto a circulação atmosférica em níveis mais altos favorece a formação de nuvens carregadas.
Outro fator que contribui para o cenário é a temperatura do mar acima da média na costa leste do Nordeste. O aquecimento das águas aumenta a evaporação e fornece mais umidade para a atmosfera, favorecendo a manutenção das áreas de instabilidade.
Previsão de instabilidade
A previsão indica tempo instável ao longo de toda a semana entre o litoral do Rio Grande do Norte e o sul da Bahia. A passagem de uma frente fria pelo litoral baiano também deve estimular a formação de novas áreas de chuva.
Na costa norte do Nordeste, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) segue ativa e mantém o risco de chuva moderada a forte em cidades como Fortaleza e São Luís. A previsão é de cerca de 100 mm de chuva nos próximos cinco dias nas duas capitais.
Em abril, a Grande Fortaleza acumulou entre 250 mm e 430 mm de chuva, enquanto a região de São Luís registrou 570,6 mm no período, segundo o Cemaden. As duas capitais estiveram entre as mais chuvosas do país no mês passado.
Nordeste enfrenta impactos das chuvas
As fortes chuvas que atingem o Nordeste desde o início do mês levaram governos estaduais a adotarem medidas emergenciais diante dos danos registrados. Na Paraíba, foi decretada situação de emergência em cidades do litoral e do agreste após registros de alagamentos, deslizamentos e prejuízos à infraestrutura.
Equipes da Defesa Civil atuam no atendimento às ocorrências e no suporte à população afetada, com registro de famílias desalojadas e desabrigadas em diferentes municípios. As autoridades monitoram áreas de risco e orientam moradores sobre medidas de segurança.
Em Pernambuco, os temporais também provocaram impactos em diversas cidades, com ocorrências concentradas na Região Metropolitana do Recife e na Zona da Mata. Há registros de vítimas e mobilização de estruturas de assistência, com distribuição de itens emergenciais e apoio às famílias atingidas.
Especialistas e autoridades apontam que o cenário reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura urbana e políticas de prevenção, diante da recorrência de eventos extremos durante o período chuvoso na região.