As joaninhas têm se consolidado como aliadas no controle biológico de pragas em diferentes ambientes, da agricultura às hortas urbanas. Os insetos são predadores naturais de organismos que causam prejuízo às plantas, como pulgões, cochonilhas e moscas-brancas, e, nas redes sociais, já fazem sucesso como solução sustentável.

De acordo com o biólogo Pedro Henrique Barros Togni, professor da Universidade de Brasília (UnB), o sucesso está no comportamento das espécies. “As joaninhas são predadoras ao longo de todo o ciclo de vida e extremamente vorazes, consumindo grande quantidade de pragas em pouco tempo”, explica.

Além disso, elas não atuam de forma isolada. Segundo o especialista, a diversidade de espécies aumenta a eficiência do controle. Algumas são generalistas, consumindo diferentes tipos de presas, enquanto outras são mais específicas, atuando em pragas determinadas.

Esse mecanismo natural reduz a necessidade de inseticidas e contribui para sistemas mais sustentáveis, especialmente em ambientes agrícolas e urbanos.

Produção em laboratório e distribuição gratuita

Em Belo Horizonte, a estratégia já virou política pública. A biofábrica da Secretaria Municipal de Meio Ambiente produz joaninhas em ambiente controlado para distribuição gratuita à população.

A bióloga Nathalia Abreu, responsável técnica da biofábrica, destaca que o processo envolve acompanhamento desde o ovo até a fase adulta. “O manejo é feito por técnicos especializados, garantindo qualidade e segurança na produção dos insetos”, afirma.

As espécies mais utilizadas são a Coleomegilla maculata, eficiente no controle de pulgões, e os crisopídeos, conhecidos como “bicho-lixeiro”, que ampliam o combate a outras pragas, como ácaros e cochonilhas.

Biofábrica de joaninhas em BH
Biofábrica de joaninhas em BH cultiva os insetos para lidar com pragas

O método adotado é o controle biológico inundativo, com liberação dos insetos em áreas infestadas. O resultado é a redução significativa de pragas sem o uso de produtos químicos, além da recuperação de hortas urbanas e fortalecimento da segurança alimentar.

Riscos, limites e erros comuns

Apesar dos benefícios, o uso de joaninhas exige critérios técnicos. Um dos principais erros é adquirir insetos de origem desconhecida, prática que pode trazer riscos ambientais.

Segundo Togni, a comercialização sem autorização pode envolver espécies exóticas invasoras. “A introdução dessas espécies pode causar desequilíbrio ecológico, competindo com as joaninhas nativas e reduzindo a biodiversidade”, alerta.

A própria Secretaria de Meio Ambiente reforça que a produção deve seguir regulamentação federal, com autorização de órgãos como o Ibama e o Ministério da Agricultura.

Um importante desafio está no transporte. Embora empresas utilizem transportadoras para envio de joaninhas vivas, nem todas aceitam esse tipo de carga. O envio geralmente exige embalagens ventiladas e cuidados para evitar morte dos insetos durante o trajeto.

Especialistas também alertam para riscos ambientais da soltura inadequada de espécies exóticas. O uso de joaninhas fora do ambiente correto pode causar desequilíbrio ecológico e afetar espécies nativas.

Outro ponto importante é que o sucesso do controle depende do ambiente. A presença de formigas, o uso prévio de inseticidas e a falta de alimento podem fazer com que as joaninhas abandonem o local.

Nathalia também destaca a necessidade de manejo adequado. “A soltura deve ser feita preferencialmente no fim da tarde, evitando estresse térmico e aumentando as chances de adaptação”, explica.

Embora eficazes, as joaninhas não são solução imediata. Diferente dos produtos químicos, seu efeito pode levar mais tempo, mas tende a ser mais duradouro e sustentável.

No cenário atual, o avanço do uso de joaninhas mostra que alternativas naturais podem ser eficientes, desde que aplicadas com responsabilidade e informação.



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