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Mais de 60 deputados do Partido Trabalhista britânico pediram nesta segunda-feira, 11, que o primeiro-ministro, Keir Starmer, estabeleça um cronograma para deixar o cargo, aprofundando a crise interna após uma das piores derrotas da legenda nas eleições locais da semana passada.
Os parlamentares, ligados a diferentes alas do partido, afirmam que Starmer não conseguiu convencê-los de que tem condições de conduzir o país até a próxima eleição geral.
Deputados trabalhistas proeminentes, incluindo Naushabah Khan, Joe Morris, Tom Rutland e Lorraine Beavers, exigiram publicamente uma nova liderança e um cronograma claro para a saída de Starmer, citando uma perda de confiança pública. Entre os críticos estão aliados de possíveis sucessores, como Andy Burnham e o secretário de Saúde, Wes Streeting.
A pressão sobre o premiê aumentou após assessores parlamentares do governo defenderem sua saída. Segundo a BBC, Joe Morris, aliado de Streeting, informou ao partido que quer a saída de Starmer e teria deixado seu cargo de assessor parlamentar. Já Tom Rutland renunciou ao posto no Ministério do Meio Ambiente afirmando que a “hostilidade” dos eleitores contra Starmer inviabiliza sua permanência no cargo.
Nesta segunda-feira, Starmer rejeitou a possibilidade de renúncia e prometeu provar que os “céticos” dentro do seu próprio partido e no eleitorado em geral estão errados.
“Sei que as pessoas estão frustradas com a situação do Reino Unido. Frustradas com a política, e algumas pessoas estão frustradas comigo”, disse ele. “Sei que tenho meus críticos e sei que preciso provar que estão errados. E vou provar.”
A presidente do Partido Trabalhista, Anna Turley, se manifestou em apoio ao primeiro-ministro, escrevendo no X que “este momento difícil não é sobre desistir, é sobre intensificar”.
O movimento ocorre após o Partido Trabalhista, que chegou ao poder em julho de 2024, após 14 anos de governos conservadores, perder quase 1.500 cadeiras nos governos municipais, abalado por um forte avanço do partido anti-imigração Reform UK.
Os resultados foram interpretados como um referendo informal sobre Starmer, cuja popularidade despencou desde que chegou ao poder com uma vitória esmagadora, há menos de dois anos. O primeiro-ministro também foi afetado pela decisão de nomear Peter Mandelson para o cargo de embaixador em Washington devido a seus vínculos com Jeffrey Epstein, o falecido financista condenado por manter uma rede de exploração sexual de mulheres, muitas delas menores de idade.