Vizinhos do casal que protagonizou um feminicídio horas após a própria cerimônia de casamento, em Campinas, no interior de São Paulo, afirmam que as discussões entre marido e esposa eram constantes. Em conversa com a CNN Brasil, um morador da região relatou que gritos, xingamentos e desentendimentos faziam parte da rotina da casa.
“Era briga todo dia. A gente ouvia muitos gritos, palavrões, discussão quase sempre”, afirmou o vizinho, que preferiu não se identificar.
A vítima, Nájylla Duenas Nascimento, de 34 anos, foi morta a tiros na noite desse sábado (9), poucas horas depois de oficializar a união com Daniel Barbosa Marinho, de 55 anos, guarda municipal de Campinas há 28 anos. Segundo a Polícia Civil, ele foi preso em flagrante por feminicídio.
De acordo com familiares e amigos, Daniel apresentava comportamento agressivo quando consumia bebida alcoólica. Ainda segundo relatos obtidos pela reportagem, a discussão teria começado durante a confraternização do casamento, realizada na tarde de sábado, após a cerimônia no cartório.
Nájylla teria pedido para que o marido parasse de beber, o que provocou irritação e iniciou uma nova discussão entre os dois. O desentendimento continuou já na residência do casal, no bairro DIC IV.
Segundo testemunhas, Daniel passou a agredir a esposa fisicamente dentro da casa. Em seguida, deixou o imóvel e retornou armado pouco tempo depois. Foi nesse momento que teria efetuado os disparos contra Nájylla.
Familiares que estavam no local conseguiram retirar os três filhos da vítima — um adolescente de 15 anos e duas meninas, de 12 e 8 anos — antes dos tiros. Equipes do Samu (Serviço de Atendimento Municipal de Urgência) chegaram a socorrer Nájylla, mas ela não resistiu aos ferimentos.
Amigos descrevem a vítima como uma mulher batalhadora, de origem humilde e que sonhava em se tornar advogada. Nájylla cursava Direito e, segundo pessoas próximas, tinha nos estudos um dos principais projetos de vida.
O corpo dela foi enterrado na manhã desta segunda-feira (11), no Cemitério dos Amarais, em Campinas. O sepultamento aconteceu apenas dois dias após o crime porque familiares da vítima viajaram do Paraná para acompanhar a despedida.
Em nota, a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo) informou que o caso foi registrado como feminicídio e violência doméstica na 2ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Campinas.
A arma utilizada no crime foi apreendida, e o guarda municipal permanece preso à disposição da Justiça. Após audiência de custódia, ele teve a prisão convertida em preventiva.