
Os ocupantes de um navio de cruzeiro atingido por um surto mortal de hantavírus, que gerou alarme internacional, começaram a deixar a embarcação nas Ilhas Canárias, na Espanha, neste domingo, para serem repatriados.
Três passageiros do MV Hondius — um casal holandês e uma mulher alemã — morreram, enquanto outros adoeceram com a rara doença, que geralmente se espalha entre roedores.
Não existem vacinas ou tratamentos específicos para o hantavírus, que é endêmico na Argentina, de onde o navio partiu em abril.
Mas as autoridades de saúde enfatizaram que o risco para a saúde pública global é baixo e minimizaram as comparações com uma repetição da pandemia de Covid-19.
O último voo para evacuar a maioria dos quase 150 passageiros e tripulantes do navio partirá para a Austrália na segunda-feira, antes de o navio seguir para a Holanda, informou a ministra da Saúde espanhola, Monica Garcia.
Passageiros vestindo macacões médicos azuis começaram a desembarcar do navio de bandeira holandesa em barcos menores para chegar ao porto de Granadilla, em Tenerife, conforme testemunhado por jornalistas da AFP.
Os evacuados então embarcaram em um ônibus para o aeroporto de Tenerife Sul, de onde partiriam seus voos de repatriação.
“O desembarque dos passageiros e do tripulante espanhol começou”, confirmou o Ministério da Saúde no Telegram.
Os 14 espanhóis a bordo seriam os primeiros a sair, seguidos por um voo holandês que também levaria cidadãos da Alemanha, Bélgica, Grécia e parte da tripulação, disse Garcia.
Voos separados para cidadãos canadenses, turcos, franceses, britânicos, irlandeses e americanos também estavam planejados para domingo, acrescentou Garcia.
Preocupação internacional
As autoridades regionais do arquipélago atlântico têm resistido consistentemente a receber o navio, que só tinha autorização para ancorar ao largo da costa, em vez de atracar no porto.
Mas todos os passageiros são assintomáticos e foram submetidos a uma avaliação médica final antes do desembarque, disse García a jornalistas em Tenerife pouco antes do início da operação.
As autoridades espanholas insistiram que não haverá contato com a população local de Tenerife.
Jornalistas da AFP em Granadilla viram tendas brancas erguidas ao longo do cais e policiais, alguns com trajes médicos de proteção, isolando parte do pequeno porto industrial.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, acompanha as autoridades espanholas para supervisionar a delicada operação.
As autoridades regionais alertaram que a operação deve ser concluída até segunda-feira, quando as condições climáticas adversas obrigarão o navio a partir.
O único tipo de hantavírus que pode ser transmitido de pessoa para pessoa — o vírus dos Andes — foi confirmado entre os que testaram positivo, alimentando a preocupação internacional.
A OMS informou na sexta-feira que confirmou seis casos dos oito suspeitos. Não há mais casos suspeitos a bordo do navio.
O MV Hondius chegou a Tenerife na manhã de domingo, vindo de Cabo Verde, onde três pessoas infectadas já haviam sido evacuadas para a Europa no início da semana.
A embarcação partiu de Ushuaia, Argentina, em 1º de abril, para um cruzeiro pelo Oceano Atlântico até Cabo Verde.
A OMS acredita que a primeira infecção ocorreu antes do início da expedição, seguida de transmissão entre pessoas a bordo.
Mas o secretário de saúde da província argentina, Juan Petrina, afirmou que a chance de o holandês ligado ao surto ter contraído a doença em Ushuaia é “praticamente zero”, considerando o longo período de incubação do vírus, que dura semanas, entre outros fatores.
Autoridades de saúde de diversos países estão monitorando os passageiros que já desembarcaram e qualquer pessoa que possa ter entrado em contato com eles.
(Com AFP)