A Rússia realizou neste sábado (9) o seu desfile do Dia da Vitória mais discreto em anos, devido à ameaça de ataque da Ucrânia.

O desfile de 9 de maio na Praça Vermelha marca o feriado nacional mais reverenciado da Rússia – um momento para celebrar a vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista e para homenagear os 27 milhões de cidadãos soviéticos, incluindo muitos da Ucrânia, que morreram.

Outrora usado para exibir o vasto poderio militar da Rússia, incluindo seus mísseis balísticos intercontinentais com capacidade nuclear, o desfile deste ano não contou com tanques ou outros equipamentos militares desfilando pelas ruas da Praça Vermelha.

Em vez disso, armas como o míssil balístico intercontinental Yars, o novo submarino nuclear Arkhangelsk, a arma a laser Peresvet, o caça Sukhoi Su-57, o sistema de mísseis terra-ar S-500 e uma série de drones e peças de artilharia foram exibidas em telões gigantes na Praça Vermelha e na televisão estatal.

Soldados e marinheiros, alguns dos quais serviram na Ucrânia, marcharam e ovacionaram o presidente russo Vladimir Putin enquanto este assistia, sentado ao lado de veteranos russos à sombra do Mausoléu de Vladimir Lenin.

Tropas norte-coreanas, que lutaram contra ucranianos na região russa de Kursk, também participaram da marcha.

Aviões de combate sobrevoaram as torres do Kremlin e Putin fez um discurso de oito minutos, prometendo vitória na guerra na Ucrânia, que o Kremlin chama de “operação militar especial”.

“O grande feito da geração vitoriosa inspira os soldados que hoje executam as tarefas da operação militar especial”, disse Putin. “Eles estão enfrentando uma força agressiva armada e apoiada por todo o bloco da OTAN. E, apesar disso, nossos heróis avançam.”

Trump quer prorrogação do cessar-fogo

Após a Rússia e a Ucrânia acusarem-se mutuamente de violar os cessar-fogos unilaterais que haviam declarado nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de três dias, de sábado a segunda-feira, que foi apoiado pelo Kremlin e por Kiev. Os dois lados também concordaram em trocar mil prisioneiros.

“Eu gostaria que isso parasse. Rússia, Ucrânia, é a pior coisa desde a Segunda Guerra Mundial em termos de qualidade de vida. Vinte e cinco mil jovens soldados todos os meses. É uma loucura”, disse Trump a repórteres em Washington.

Ele acrescentou que “gostaria de ver uma grande prorrogação” do cessar-fogo. Não houve relatos de violações desta trégua por parte de Moscou ou Kiev.

A Rússia, que invadiu a Ucrânia em 2022, havia alertado que qualquer tentativa de Kiev de interromper o evento de sábado (9) resultaria em um ataque maciço com mísseis contra a capital ucraniana. Moscou disse a diplomatas estrangeiros que eles deveriam retirar suas equipes em Kiev caso tal ataque ocorresse.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky emitiu um decreto irônico “permitindo” que o desfile militar russo de 9 de maio prosseguisse e afirmando que as armas ucranianas não teriam como alvo a Praça Vermelha.

A segurança era reforçada em Moscou. Imagens da Reuters mostravam soldados armados em cima de caminhonetes e ruas bloqueadas ao redor do centro da capital, que, juntamente com a região metropolitana, tem uma população de 22 milhões de habitantes.

Guerra na Ucrânia assombra desfile militar

Após a invasão da União Soviética pela Alemanha nazista em 1941, o Exército Vermelho acabou por repelir as forças nazistas de volta a Berlim, onde Adolf Hitler se suicidou e a bandeira vermelha da vitória soviética foi hasteada sobre o Reichstag em maio de 1945.

A rendição incondicional da Alemanha nazista entrou em vigor às 23h01 do dia 8 de maio de 1945, data que foi comemorada como o “Dia da Vitória na Europa” pelo Reino Unido, Estados Unidos e França. Em Moscou, já era 9 de maio, que se tornou o “Dia da Vitória” da União Soviética no que os russos chamam de Grande Guerra Patriótica de 1941-45.

Mas o desfile deste ano ocorre em meio a uma onda de ansiedade em Moscou sobre o desfecho final do conflito na Ucrânia.

A guerra matou centenas de milhares de pessoas, deixou vastas áreas da Ucrânia em ruínas e exauriu a economia russa de 3 trilhões de dólares, enquanto as relações da Rússia com a Europa estão piores do que em qualquer outro momento desde o auge da Guerra Fria.

“A crise ainda está se aprofundando gradualmente, mas qualquer movimento brusco pode levar a economia (e não só a economia) a um colapso”, disse Igor Girkin, nacionalista russo pró-guerra preso e crítico do Kremlin pela condução da guerra, em uma publicação no Telegram.

Girkin, um ex-oficial do Serviço Federal de Segurança, usou uma analogia naval para dizer que os líderes da Rússia estavam mais preocupados em serem expulsos de suas cabines do que com um naufrágio.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, desmentiu esta semana as notícias veiculadas pela CNN e outros meios de comunicação ocidentais de que a proteção a Putin teria sido intensificada por receio de um golpe de Estado ou assassinato. Autoridades russas , por sua vez, classificaram como absurdas as notícias sobre uma conspiração golpista.

A CNN citou uma agência de inteligência europeia não identificada, afirmando que o ex-ministro da Defesa de Putin, Sergei Shoigu, era visto como um potencial líder de golpe.

O secretário do Conselho de Segurança, Shoigu, que participou de uma reunião online do Conselho de Segurança presidida por Putin na sexta-feira, esteve presente no desfile de sábado, sentado ao lado de alguns dos funcionários mais poderosos de Putin.



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