O novo primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, tomou posse, neste sábado (9/5), quase um mês após as eleições que derrotaram o líder da extrema-direita do país, Viktor Orbán, que comandou o país por 16 anos.
O evento de posse ocorreu sem a presença do antecessor. Péter Magyar prometeu mudanças no país após anos de estagnação econômica no país e fez sinalizações à Europa e à comunidade cigana, postura antagônica à de Orbán, conhecido por suas declarações conservadoras, nacionalistas e anti-imigração.
Em 12 de abril, o Conselho Nacional Eleitoral registrou que o Tisza, partido de centro-direita liderado por Magyar, teve 54% dos votos e conquistou ao menos dois terços das 199 vagas do parlamento. A legenda derrotou o Fidesz, de Orbán.
O avanço de Péter Magyar, ex-integrante do próprio Fidesz que rompeu com a sigla em 2024, redesenhou o cenário político húngaro.
À frente do Tisza, ele capitaliza a insatisfação com a economia e com denúncias de corrupção, além de defender o desbloqueio de fundos europeus e reformas no sistema de saúde.
Às vésperas da votação, Orbán acusou adversários de tentarem gerar “caos” e de conspirarem com serviços de inteligência estrangeiros para influenciar o resultado eleitoral. O governo também fala em possíveis tentativas de fraude e protestos organizados.
Orbán comandou a Hungria por duas décadas
Líder da extrema-direita da Hungria, Viktor Orbán comandou o país entre 1998 e 2002. Em 2010, voltou ao poder, e seguiu por mais 16 anos.
O governo dele ficou marcado pela forte centralização institucional, influência sobre a mídia e aproximação com líderes como Donald Trump e Vladimir Putin. O húngaro também demonstrava proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O húngaro de 62 anos é formado em direito pela Universidade Eötvös Loránd, de Budapeste. Na Europa, ele é conhecido por visões majoritariamente conservadoras, nacionalistas e anti-imigração.
Uma das polêmicas da gestão foi a “agenda anti-gay” do premier. Em dezembro de 2020, o Parlamento húngaro aprovou uma lei que impede casais do mesmo sexo de adotarem crianças.


