
Luís Justo sai em breve do cargo de CEO do Rock In Rio para ser membro do conselho administrativo. Há 16 anos nesta liderança, a mudança é vista por ele como um momento importante na trajetória de empresário. Ao longo dos anos no comando no principal festival do Brasil, ele se consolidou como um dos principais nomes do showbusiness nacional. Em conversa com a coluna GENTE durante o Gramado Summit, ele fala sobre o futuro da Rock World e da indústria do entretenimento.
O que todo empreendedor brasileiro pode aprender com o Rock in Rio? Em uma história de 42 anos de vida, o Rock in Rio tem muito ensinado sobre antifragilidade. Por estar há tanto tempo relevante e construindo tanto impacto, é porque tem uma capacidade de reinvenção, superação e desafios. Seja de momento econômico ou mudança de mercado. É estar sempre olhando para frente que a gente consegue permanecer relevante. Nosso projeto tem esse olhar. Como a gente consegue capturar esses momento da sociedade e entregar uma experiência renovada e inovadora, mas mantendo aqueles princípios desde a primeira edição de ser uma experiência inesquecível para o fã.
O entretenimento tem o poder de passar em paralelo a essas turbulências políticas que o Brasil volta e meia enfrenta? Qualquer empreendedor precisa entender o quanto permanece relevante para sobreviver mesmo no momento. A gente, pegando um exemplo recente, trabalha com aglomeração… e passou dois anos de pandemia onde o nosso negócio precisou sobreviver e pensar como é que poderia sair daquele período de receita zero. A gente usou esse momento para planejar como é que a gente sairia desse momento, o dobro do tamanho que a gente entrou, que foi quando a gente, por exemplo, teve a possibilidade de planejar e pensar o The Town, um evento em São Paulo, uma capital brasileira com a dimensão de um Rock in Rio. Então, vem muito de uma intenção de permanecer relevante, de pegar esses momentos desafiadores e usar como experiência e aprendizado para sair de cada ciclo ainda mais fortes.
De que forma você acredita que o Todo Mundo no Rio pode competir com o Rock in Rio? Qualquer negócio do entretenimento, e não estamos falando só de Rio de Janeiro ou de música, é uma indústria geradora de emprego e impacto econômico. Você pega uma edição do Rock in Rio, são 3 bilhões de reais injetados na economia, 28 mil empregos gerados em uma edição, justamente porque movimenta, traz fãs, gera turismo, 60% das pessoas vêm de fora do estado do Rio de Janeiro, por exemplo… Cada evento reforça para as marcas patrocinadoras e o público que são experiências seguras, onde se pode conviver em família, como o Rock in Rio. Há 42 anos sem nenhum incidente. Então não vejo como competição, pelo contrário, cada evento fortalece essa indústria. Falando especificamente do Rio, tem uma vocação espetacular, é só ver o que está acontecendo com os números de turismo, porque as pessoas estão entendendo que qualquer cidade tem seus desafios, seja de organização, segurança pública….
Recentemente você anunciou saída do cargo de CEO do Rock in Rio, e vai para o conselho administrativo do grupo. Já bate uma sensação de nostalgia? Olha, essa foi uma transição que já estava planejando há mais de um ano, e não dá vazio no coração porque de fato é uma transição, evolução ir para uma posição mais estratégica, pensando novas experiências e abrindo um pouco mais de agenda. Como por exemplo ter tempo na agenda de estar aqui compartilhando com outras pessoas esses aprendizados. O conselho é um lugar onde estarei projetando cada vez mais experiências inesquecíveis junto com o time executivo.
Qual foi o momento inesquecível dessa sua gestão, que você coloca como lição? Na minha primeira edição, em 2011, no primeiro dia de evento, um cliente me pediu um dinheiro para comer alguma coisa. Eu falei: ‘Não, você perdeu esse dinheiro?’ Ele explicou que não, estava viajando de uma cidade do interior do Amazonas, de carona, para estar lá. Era o sonho da vida dele. E ali me caiu uma ficha da responsabilidade que a gente tem quando está construindo experiência especial.Cada uma daquelas 700 mil pessoas tem uma história de vida por trás.
E você deu o dinheiro? Dei, a gente comeu o lanche juntos (risos).