
Ler Resumo
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), unidade militar responsável pelo Oriente Médio, afirmou ter atacado dois petroleiros de bandeira iraniana “descarregados” que, segundo o governo americano, tentavam violar o bloqueio naval ao entrar em um porto iraniano no Golfo de Omã.
“As forças americanas desativaram o M/T Sea Star III e o M/T Sevda em 8 de maio, antes que ambos os navios entrassem em um porto iraniano no Golfo de Omã, em violação ao bloqueio americano em vigor”, afirmou o Centcom em um comunicado nas redes sociais.
As Forças americanas alegaram ter “desativado ambos os petroleiros após disparar munições de precisão contra suas chaminés”. O comunicado acrescentou que um terceiro navio de bandeira iraniana também foi desativado na quarta-feira 6. “Nenhum dos três navios está mais em trânsito para o Irã“, completou.
Há quase quatro semanas, a Marinha americana impõe um contra-bloqueio no Mar Arábico, sua resposta ao fechamento do nevrálgico Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária Islâmica. A operação vetou a navegação de navios do Irã bem como de todos aqueles que passam por portos do país.
Tensões em alta
A última semana foi marcada por altas tensões. Na segunda-feira 4, uma operação militar anunciada por Donald Trump para escoltar navios mercantes para fora do Golfo Pérsico, através do nevrálgico Estreito de Ormuz, colocou a Marinha americana em rota de colisão com a Guarda Revolucionária Islâmica, que também teria atacado uma refinaria dos Emirados Árabes na costa do Golfo de Omã.
O ocupante do Salão Oval deu um giro de 180 graus e suspendeu o chamado “Projeto Liberdade” na noite de terça-feira, segundo ele, para “dar espaço às negociações”.
No entanto, os atritos voltaram na quinta-feira. As Forças Armadas americanas informaram que atacaram alvos militares iranianos na quinta-feira 7, acusando as forças de Teerã de lançarem ataques contra três de seus contratorpedeiros que transitavam pelo Estreito de Ormuz.
O comando militar iraniano, por sua vez, acusou o Exército americano de violar o cessar-fogo ao “atacar um petroleiro iraniano, assim como outro barco”, além de dizer também que Washington teria realizado ataques no sul do Irã “em cooperação com outros países da região”. As forças iranianas “responderam de imediato atacando navios militares americanos, e causando danos importantes”, acrescentou.
O presidente americano, Donald Trump, porém, afirmou na noite de quinta que o cessar-fogo com Teerã seguia vigente, chamando os ataques iranianos contra três navios militares americanos de “insignificantes”.
Negociações e memorando de entendimento
As trocas de acusações ocorrem em meio a negociações voláteis. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que seu país espera que o Irã responda nesta sexta-feira, 8, à proposta dos Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio.
“Esperamos uma resposta deles hoje em algum momento. Espero que seja uma oferta séria, realmente espero”, disse o chefe da diplomacia americana a jornalistas durante uma visita à Itália.
De acordo com o portal de notícias Axios, os países estão prestes a fechar um “memorando de entendimento” de uma página, com 14 pontos, que encerraria o conflito em curso, além de estabelecer uma estrutura para negociações posteriores mais detalhadas, incluindo sobre o programa nuclear iraniano.
Entre outras disposições, o memorando envolveria o compromisso do Irã com uma moratória no enriquecimento de urânio, ao passo que os Estados Unidos suspenderiam sanções, com a liberação de bilhões de dólares em receitas petrolíferas iranianas congeladas no exterior. Ambos os lados concordariam em suspender todas as restrições ao trânsito pelo Estreito de Ormuz, segundo o Axios.
O acordo encerraria a guerra na região, dando início de um período de 30 dias de negociações sobre um acordo detalhado para abrir o estreito, limitar o programa nuclear do Irã e suspender as sanções americanas — período durante o qual as restrições iranianas à navegação por Ormuz e o bloqueio naval americano seriam gradualmente suspensos. As tratativas adicionais poderiam ocorrer em Islamabad, capital do Paquistão, ou Genebra, afirmou o site.
A duração da moratória no programa nuclear iraniano ainda está em negociação. Na primeira rodada de negociações, em 11 de abril, que terminou em fracasso, os Estados Unidos exigiram uma pausa de 5 anos e o Irã ofereceu 5, proposta já descartada. Agora, segundo o Axios, fala-se entre 12 e 15 anos. Washington, além disso, deseja inserir uma cláusula segundo a qual qualquer violação das normas de enriquecimento prolongaria a moratória, enquanto Teerã poderia enriquecer urânio até o nível baixo de 3,67% após o término da proibição.
No mesmo entendimento, a República Islâmica se comprometeria a jamais ter uma arma nuclear e aceitaria um regime de inspeções reforçado, incluindo visitas surpresa de fiscais das Nações Unidas, segundo uma das fontes consultadas pelo portal americano.