
O papa Leão XIV afirmou nesta sexta-feira, 8, que pedirá a Deus “tocar os corações, acalmando o rancor e os ódios fratricidas e iluminando aqueles que têm responsabilidades especiais no governo”. A declaração, feita em discurso que marca o seu primeiro ano como pontífice, ocorre um dia após uma reunião com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no Vaticano. O encontro se deu em meio a tensões entre o líder da Santa Sé e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que chegou a dizer que Leão era “fraco”.
Em mensagem para milhares de pessoas na praça principal de Pompeia, perto das ruínas da famosa erupção, o papa também lamentou que a paz mundial esteja “ameaçada por tensões internacionais e por uma economia que prefere o comércio de armas ao respeito pela vida humana”. Ele fez, ainda, um pedido para que as pessoas não se acostumem com a guerra.
Na quinta 7, Rubio chegou ao Palácio Apostólico, na Santa Sé, depois de semanas de críticas reiteradas de Trump ao primeiro pontífice americano. A audiência “ressaltou a solidez das relações entre os Estados Unidos e a Santa Sé, além do compromisso comum de ambos em favor da paz e da dignidade humana”, afirmou o Departamento de Estado em comunicado. A conversa entre ambos ressaltou a “sólida e constante parceria entre os Estados Unidos e a Santa Sé em favor da liberdade religiosa”, acrescentou.
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Trump x Leão XIV
O embate entre os dois escalou em abril, quando Trump disse que não queria “um papa que critique o presidente dos Estados Unidos por eu estar fazendo exatamente aquilo para o qual fui eleito, com uma vitória arrasadora: reduzir o crime a níveis recordes e criar o maior mercado de ações da história”. O republico também apontou que Leão deveria ser grato a ele por ter conseguido o mais alto posto da Igreja Católica.
“Ele não estava em nenhuma lista para ser papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano — e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano. Infelizmente, Leão é fraco no combate ao crime e fraco em relação a armas nucleares — e isso não me agrada. Também não me agrada o fato de ele se reunir com simpatizantes de Obama, como David Axelrod, um perdedor da esquerda, que é um daqueles que queriam que fiéis e membros do clero fossem presos”, disse.
Leão, porém, continuou a criticar líderes que usam da fé em função do poder: “Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seus próprios ganhos militares, econômicos e políticos, arrastando o que é sagrado para a escuridão e a imundície”, disparou. Apesar das discordâncias públicas com o mandatário da Casa Branca, o papa destacou que não tem “a intenção de entrar em um debate” com Trump e que seu real interesse estava em “promover a paz”.