
A investigação sobre crimes praticados por Daniel Vorcaro no Master, que culminou na operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira, aponta o senador Ciro Nogueira (PP-PI) como “recebedor de vantagens indevidas e agente público que, em tese, instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados do banqueiro”.
Ciro Nogueira teria apresentado uma emenda que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo a investigação, o texto foi “elaborado pela assessoria do Banco Master”, entregue em envelope endereçado a “Ciro” em sua residência e “reproduzido de forma integral pelo parlamentar”.
“Em relação ao Senador Ciro Nogueira, os elementos coligidos indicam a existência de vínculo funcional estável com integrantes de outros núcleos da
organização criminosa investigada, em especial os de natureza empresarial e financeira, os quais detêm controle direto sobre fluxos patrimoniais e decisões estratégicas relacionadas à prática dos ilícitos apurados. Ressalte-se que o parlamentar, ora investigado, detém o controle e figura como principal beneficiário das condutas relacionadas à execução material de atos de lavagem de capitais sob investigação, razão pela qual é inegável que sua capacidade de articulação política e institucional, aliada à proximidade reiterada com outros investigados, confere-lhe potencial elevado de influência sobre o curso da investigação, especialmente no que se refere ao alinhamento de versões, combinação de estratégias defensivas e circulação de informações sensíveis”, diz um trecho da decisão.
As ordens foram expedidas pelo ministro André Mendonça, do STF, e miram investigados nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. O senador e ex-ministro Ciro Nogueira é um dos alvos. Raimundo Nogueira, irmão do cacique bolsonarista, também sofreu buscas e terá de usar tornozeleira eletrônica. O primo de Daniel Vorcaro, Felipe Vorcaro, é alvo de mandados em Trancoso, na Bahia. Ele foi preso temporariamente.
Mendonça proibiu o senador bolsonarista de manter contato com os demais investigados e testemunhas. Ciro não foi alvo de ordem de prisão nem de uso de tornozeleira. Além das pessoas físicas, quatro empresas (CNLF Empreendimentos, BRGD S.A., Green Investimentos e Green Energia FIP) tiveram suas atividades suspensas.
Os investigadores cumprem 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária contra alvos suspeitos de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
A decisão judicial autorizou, ainda, o bloqueio de bens, direitos e valores no valor de 18,85 milhões de reais.