Viajar para praia costuma ser sinônimo de descanso, relaxamento e alegria. Ainda assim, imprevistos podem surgir e transformar rapidamente esse cenário. Entre eles, está a queimadura causada por água-viva — um problema mais comum do que se imagina e que ainda gera dúvidas sobre como agir corretamente. Os primeiros passos são não se desesperar evitar soluções caseiras, que podem piorar a situação.

O que fazer ao ser queimado?

Nesses casos, é comum ouvir recomendações sobre o uso de urina na queimadura — o que, na verdade, é um mito. O dermatologista Gustavo Saczk explica que é fundamental evitar soluções caseiras e crenças populares. “Álcool, pasta de dente e urina não devem ser utilizados, pois aumentam a liberação do veneno e pioram a lesão.”

Segundo o especialista, entre as opções mais comuns, o uso de vinagre é o único com comprovação de melhora. “O vinagre ajuda a reduzir a atividade das toxinas ainda presentes na pele e costuma aliviar a dor, que pode ser bastante intensa”, afirma. Ele também reforça a importância de remover eventuais fragmentos visíveis e evitar tocar a região afetada. 

Contato indesejado

No litoral brasileiro, a maior ocorrência desses animais tende a acontecer durante o verão, impulsionada pelo aumento da temperatura da água. Ventos de Nordeste e Leste também contribuem para levá-los em direção à costa, coincidindo com o período de reprodução.

Foto colorida da Praia de Pitinga, na Bahia
A Praia de Pitinga fica no sul da Bahia

Foi em um contexto como esse que Paola Cieglinski, universitária de 20 anos, viveu uma experiência inédita durante uma viagem a Arraial d’Ajuda, na Bahia. No segundo dia de passeio, ao visitar a Praia de Pitinga, o momento de lazer foi interrompido por um susto: o contato com uma água-viva.

Em entrevista ao Metrópoles, a jovem descreveu a sensação da queimadura. “Senti como se fossem agulhas na minha perna. Devido ao susto, acabei chutando e ela bateu na minha coxa, que queimou também. É uma sensação muito estranha, senti as agulhadas e ao mesmo tempo uma ardência muito forte.”

Fotos colorida de lesões provocadas por água-viva
Ela sofreu queimaduras em dois locais

Após o acidente, Paola contou que foi carregada pelo namorado até a areia. Sem saber como agir, recebeu a orientação de um banhista que já havia passado pela mesma situação: aplicar vinagre no local. “Eu nunca pensei que fosse passar por isso. Deixei um guardanapo com vinagre um bom tempo, o que aliviou bastante.”

Foto colorida de embalagem com vinagre
Vinagre é a única substância que deve ser aplicada

Os riscos

Para muitas pessoas, um episódio como esse poderia arruinar toda a viagem. A universitária, no entanto, relatou que a dor mais intensa durou cerca de dois minutos, seguida por uma ardência que persistiu por aproximadamente uma hora. “Meu conselho é não se desesperar, você acaba se queimando em mais lugares, como aconteceu comigo.”

Foto colorida de caravela-portuguesa
As caravelas-portuguesas são uma das espécies mais comuns em casos de acidentes

Embora, na maioria das vezes, não seja uma ocorrência grave, é importante ficar atento aos sinais. Gustavo destaca que, quanto maior a área atingida, maiores tendem a ser os efeitos no organismo. Sintomas como dificuldade para respirar, sensação de desmaio, náuseas e vômitos podem indicar uma reação mais severa.

É essencial procurar um pronto-socorro imediatamente, pois pode haver comprometimento sistêmico que exige avaliação e tratamento médico urgente”, orienta o dermatologista sobre casos mais graves.

Conhecimento nunca é demais

Duas semanas após o acontecimento, Paola ainda apresenta marcas na pele — ao contrário de familiares que também tiveram contato com águas-vivas durante o passeio. “Não é normal ficar com essas marcas por muito tempo, provavelmente tive uma reação alérgica”, esclareceu.

Foto colorida de lesão provocada por água-viva
O machucado foi na região do tornozelo e do pé

Por último, ela deixou um alerta para quem pretende viajar para praias onde esses animais estão presentes: “Em um ambiente que o improviso costuma falar mais alto, o conhecimento pode evitar erros que colocam a saúde em risco”, concluiu a universitária.





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