
O Alzheimer ainda é cercado de incertezas. Apesar dos avanços da ciência, não se sabe exatamente todos os mecanismos por trás da doença, nem quais fatores determinam seu surgimento – e, até hoje, não há uma fórmula definitiva para impedir a progressão de sintomas como a perda de memória.
Por outro lado, há um ponto em que especialistas convergem: o estilo de vida importa. Hábitos como manter uma alimentação equilibrada vêm sendo associados a um menor risco de declínio cognitivo ao longo dos anos.
Nesse contexto, padrões alimentares como a dieta MIND – que combina elementos das dietas mediterrânea e DASH – têm ganhado destaque por priorizar alimentos ligados à saúde do cérebro. Além disso, pesquisas recentes vêm identificando itens específicos que podem ter um papel protetor nas funções cognitivas.
Veja abaixo quatro alimentos associados à saúde cerebral:
1. Ovos
Publicado no Journal of Nutrition, da Sociedade Americana de Nutrição, o estudo indicou que um consumo maior de ovos está fortemente associado a uma incidência menor de Alzheimer no grupo populacional que foi alvo da investigação. Em quem comia ovo cinco ou mais vezes por semana, o risco chegava a ser até 27% menor do que a média da população.
O contrário também era verdadeiro: em pessoas que diziam não consumir ovos no dia a dia, o risco de Alzheimer chegava a ser 22% maior do que em quem come esse alimento mesmo em quantidades pequenas (equivalentes a 10 gramas por dia).
De forma resumida, o trabalho encontrou a seguinte redução de riscos de acordo com o nível de ingestão de ovos:
1 a 3 vezes por mês: risco 17% menor
1 vez por semana: risco 17% menor
2 a 4 vezes por semana: risco 27% menor
Para chegar a esses resultados, o trabalho levou em consideração uma coorte específica da população norte-americana: um grupo de quase 39,5 mil pessoas avaliadas dentro do Adventist Health Study-2, um estudo prospectivo que acompanha Adventistas do Sétimo Dia residentes nos Estados Unidos. O acompanhamento dessa população se deu por um período médio de 15,3 anos.
2. Uvas e morango
As uvas também têm ganhado espaço entre os alimentos associados à proteção do cérebro. Um estudo com mais de 1,1 mil pessoas com mais de 50 anos, na China, encontrou uma relação entre o consumo da fruta e menor risco de declínio cognitivo.
De acordo com os resultados, ingerir entre 100 e 200 gramas de uva por dia esteve associado a uma menor chance de comprometimento cognitivo, especialmente entre pessoas que ainda não apresentavam alterações nas funções mentais. Além disso, o trabalho também identificou que a preferência por frutas vermelhas, como morango e mirtilo, aparece como um possível fator protetor.
Uma das hipóteses para explicar esses achados está nos compostos antioxidantes desses alimentos. No caso das uvas, o destaque é o resveratrol, enquanto as frutas vermelhas são ricas em antocianinas, substâncias que ajudam a combater inflamação e estresse oxidativo, processos ligados ao envelhecimento do cérebro.
3. Peixes
O consumo de peixes também entra na lista. Um estudo com mais de 1,6 mil idosos na França encontrou uma associação entre a ingestão regular de peixe e menor carga de alterações vasculares no cérebro, detectadas por exames de ressonância magnética.
Na prática, isso significa menos sinais silenciosos de dano cerebral, como pequenas lesões e alterações nos vasos sanguíneos — fatores que, ao longo do tempo, estão ligados a um maior risco de demência.
Os resultados mostraram que, em comparação com quem comia peixe menos de uma vez por semana, aqueles que consumiam o alimento de duas a três vezes ou quatro vezes ou mais por semana apresentavam níveis progressivamente menores desses danos.
Outro ponto importante é que esse efeito foi mais evidente entre os participantes mais jovens do grupo (entre 65 e 69 anos), sugerindo que o benefício pode estar ligado à prevenção precoce, antes do surgimento de doenças mais avançadas.
A explicação mais provável envolve os ácidos graxos ômega-3, presentes especialmente em peixes como salmão, sardinha e atum. Essas gorduras têm ação anti-inflamatória e contribuem para a saúde dos vasos sanguíneos, o que pode ajudar a preservar o funcionamento do cérebro ao longo do tempo.
Assim como nos outros estudos, é importante fazer uma ressalva: trata-se de uma associação. Ou seja, comer peixe, uvas ou ovos regularmente pode fazer parte de um padrão alimentar protetor, mas não é, isoladamente, uma garantia contra o Alzheimer. A dica é manter um plano alimentar equilibrado, além de apostar na prática de atividades físicas e estímulos cognitivos.