O programa Desenrola 2.0, voltado à renegociação de dívidas dos brasileiros, foi analisado por Creomar de Souza, CEO da consultoria Dharma Politics, em entrevista ao WW, da CNN Brasil, desta segunda-feira (5). Segundo ele, o governo federal enfrenta uma corrida contra o tempo para encontrar soluções econômicas eficazes diante da proximidade das eleições de outubro.
Para Souza, o governo apostou ao longo dos últimos quatro anos na percepção do eleitor sobre a economia como grande tema eleitoral. “A gente pode fazer esse resgate na ideia da narrativa da campanha de 22, que basicamente dizia que era recolocar a picanha e a cervejinha na mesa”, afirmou. “Nós chegamos a 2026, a picanha e a cerveja estão mais longe da mesa por características que envolvem o ambiente interno e o ambiente externo”, completou.
Sem tempo para novas alternativas
Diante desse cenário, Creomar de Souza foi categórico ao afirmar que “não há tempo para buscar outra alternativa”. Em sua avaliação, o governo busca, dentro de sua caixa de ferramentas, aquela “chave que não encaixou para resolver a realidade no momento passado”. “Não por acaso a gente não está falando de um Desenrola 1.0, a gente está falando de um Desenrola 2.0”, disse, acrescentando que, se houver tempo e necessidade, pode surgir ainda um 2.5 ou um 3.0.
O analista destacou que a eleição é marcada por pessimismo e rejeição. “Uma parte considerável dos eleitores diz que não quer nem votar, e aqueles que já escolheram um lado não querem votar no outro de jeito nenhum”, observou.
Para o CEO, cabe ao governo buscar uma solução multifuncional — como uma espécie de “fita isolante” — que possa ser aplicada a diferentes frentes: “essa semana o Desenrola, na semana que vem pode ser soberania, na outra semana pode ser qualquer outra solução”.
Esse movimento, segundo ele, é característico de um governo pressionado por índices de popularidade estagnados, alta rejeição e um nível de competitividade muito maior do que o esperado seis meses atrás.