O encontro entre Lula e Donald Trump, previsto para a próxima quinta-feira (7), carrega tanto oportunidades significativas quanto riscos consideráveis para o Brasil e os Estados Unidos. Para Américo Martins, a reunião representa uma chance importante para o Brasil resolver pendências com Washington e avançar em temas estratégicos para a economia brasileira.
Durante o Hora H desta terça-feira (5), o analista sênior de Internacional da CNN Brasil destaca que, em primeiro lugar, o encontro oferece a Lula a possibilidade de aprofundar e consolidar a relação com Trump.
“A avaliação do Palácio do Planalto é que o presidente Lula conseguiu, a muito custo, mas com muita perseverança também, pavimentar muito bem a sua relação com Donald Trump”, afirmou Martins. Os dois já se encontraram pessoalmente duas vezes e tiveram duas conversas por telefone.
Entre os temas de maior relevância econômica, Martins destaca a questão das terras raras e dos minerais críticos. A oportunidade para o Brasil, segundo o analista, seria fechar um acordo em que os americanos não apenas comprassem esses minerais, mas também investissem no país para beneficiá-los industrialmente, agregando valor à economia brasileira.
Outra pauta relevante é o combate ao crime organizado, com o Brasil propondo maior integração entre os dois governos para enfrentar lavagem de dinheiro, financiamento criminoso e o contrabando de armas dos Estados Unidos para o território brasileiro.
Riscos do encontro
Os mesmos temas que abrem oportunidades também trazem riscos. Martins aponta que Trump poderia condicionar investimentos em minerais críticos à exigência de que o Brasil não venda esses produtos à China.
“O presidente Lula não vai aceitar isso, ele já deixou claríssimo que o Brasil quer negociar os seus minerais críticos nesses termos, com investimentos no Brasil, na indústria brasileira, com todos os países do mundo. É um risco, portanto”, afirmou o analista.
Outro ponto de tensão potencial seria a pressão americana para classificar grupos como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Martins explica que Lula resistiria a essa classificação: “Ele não encara as organizações, que são criminosas e precisam ser punidas, como entidades terrroristas, porque elas não tem um fim político”.
O analista aponta ainda um risco que considera mais grave do que os demais: a possibilidade de interferência americana no processo eleitoral brasileiro. “Conversei com muita gente do governo ao longo das útlmas semanas e existe uma preocupação, e ela não vem do presidente Donald Trump, viria de outros membros do governo americano”, afirma Martins.
Segundo o analista, certos setores, especialmente no Departamento de Estado dos Estados Unidos, teriam interesse em prejudicar candidaturas de centro-esquerda ou de esquerda na América Latina, por enxergarem esses governos como rivais e inimigos dos Estados Unidos.