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O governo do Paquistão informou nesta segunda-feira, 4, que auxiliou na transferência ao Irã de 22 tripulantes do cargueiro MV Touska, apreendido pelos Estados Unidos no mês passado no Mar Arábico. A operação, realizada no domingo, faz parte de um esforço conjunto entre Washington e Teerã para reduzir tensões na região.
Os indivíduos, que foram levados de avião para o Paquistão, foram entregues às autoridades iranianas nesta segunda, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores paquistanês.
“A custódia do Touska está sendo transferida de volta para seu proprietário original, após o navio ter sido interceptado e apreendido ao tentar violar o bloqueio naval dos Estados Unidos contra o Irã no mês passado”, disse Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central (Centcom), unidade do Exército americano no Oriente Médio, e responsável pela operação.
Mais tarde, a agência de notícias iraniana Fars informou que 15 tripulantes haviam chegado ao Irã. Outros seis passageiros, familiares de membros da tripulação, já haviam sido entregues às autoridades.
O MV Touska integra a frota da Islamic Republic of Iran Shipping Lines (IRISL), empresa alvo de sanções dos Estados Unidos, e foi interceptado em 19 de abril porque, segundo Washington, tentou romper o bloqueio naval imposto ao Irã. A Marinha americana afirmou que a embarcação foi alvo de disparos após não atender a repetidos avisos, ficando impossibilitada de seguir viagem. Teerã, por sua vez, classificou a ação como “ilegal”.
Aumento de tensões
A transferência ocorre em meio ao aumento das tensões entre os países. Também nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, acusou os Estados Unidos de complicarem o processo diplomático para encerrar a guerra com “exigências descabidas”, após receber outra resposta americana à sua mais recente oferta de negociações de paz. O presidente Donald Trump, no entanto, já havia declarado que provavelmente rejeitaria a proposta porque “eles não pagaram um preço suficientemente alto”.
Também no domingo, Trump anunciou uma operação militar para permitir que embarcações passem pelo Estreito de Ormuz nesta segunda-feira, em um esforço de escoltas da Marinha americana que ele denominou “Projeto Liberdade”, apesar da República Islâmica garantir que continua bloqueando a passagem.
Já a Marinha iraniana sustentou nesta segunda-feira em declaração à TV estatal que impediu a entrada de navios de guerra americanos em Ormuz ao emitir um “aviso rápido e decisivo” com tiros de advertência. Anteriormente, a agência de notícias iraniana Fars informou que dois mísseis atingiram uma fragata da Marinha americana na região e, devido aos impactos, não conseguiu prosseguir e foi forçada a recuar e deixar a área. A agência iraniana Tasnim também ouviu uma fonte que sustentou que Teerã disparou contra barcos de Washington.
Já o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), unidade do Exército responsável pelo Oriente Médio, refutou a história toda, negando a existência de disparos, e comunicou posteriormente que dois navios mercantes com bandeira americana conseguiram atravessar Ormuz nesta manhã, mediante escolta.