Aproximadamente sessenta pessoas se reuniram na Avenida Paulista na tarde desta sexta-feira, 1º de Maio, para participar de uma manifestação da direita conservadora cristã em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e da candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Organizado pelo Projeto União Brasil — associação de mais de duzentos movimentos regionais de direita sem ligação com o partido homônimo –, o ato teve tom majoritariamente em defesa de valores cristãos e repúdio ao PT, ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal. A pauta do fim da escala de trabalho 6×1, tema central de manifestações realizadas no mesmo dia pela esquerda sindicalista e estudantil, ficou de fora dos discursos.

No alto do carro de som, lideranças conservadoras tacharam de “censura” e “perseguição política” a prisão de Jair Bolsonaro e dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, e reforçaram o discurso do bolsonarismo a favor do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em dado momento, os presentes cantaram parabéns a Flávio Bolsonaro, que completou 45 anos de idade na quinta-feira, 30, enquanto um homem fantasiado de “Tio Sam” e outro vestindo uma cabeça gigante do ex-presidente dançavam no trio.

Manifestante vestido de
Manifestante vestido de “Tio Sam”, personagem associado ao imperialismo americano, hasteia bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos durante ato na Avenida Paulista em 1º de Maio de 2026 (Bruno Caniato/VEJA)
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Manifestante vestido de “Bonecão do Bolsonaro” dança sobre o carro de som em protesto realizado pela direita na Avenida Paulista, em São Paulo, em 1º de Maio de 2026 (Bruno Caniato/VEJA)
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Entre os manifestantes, que não passaram de algumas dezenas, repetiam-se os coros “supremo é o povo”, “anistia já” e “a nossa bandeira jamais será vermelha”, enquanto um homem na plateia hasteava a bandeira de Gadsden, símbolo anarcocapitalista representado por uma cobra sobre um fundo amarelo com a legenda “Don’t Tread On Me” (“Não Pise Em Mim”, em inglês).

Manifestante hasteia bandeira de Gadsden, associada à ideologia libertária e anarcocapitalista, durante ato da direita realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, em 1º de Maio de 2026
Manifestante hasteia bandeira de Gadsden, associada à ideologia libertária e anarcocapitalista, durante ato da direita realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, em 1º de Maio de 2026 (Bruno Caniato/VEJA)

No palanque, representantes de grupos ultrarreligiosos declararam que “Cristo é o nosso rei”, rezaram em latim e clamaram por um Brasil “sem os esquerdistas, os bandidos e os pedófilos da Ilha Epstein” — um deles, ligado à corrente monarquista brasileira, chegou a bradar “viva o Brasil Imperial”.

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Uma breve confusão chegou a ocorrer quando uma jovem, ao passar pelo ato, abordou e xingou um grupo de mulheres bolsonaristas que posavam para uma foto, sendo empurrada e cercada por elas na sequência. Um tumulto se formou e policiais militares escoltaram a garota, que não ficou ferida, para longe do protesto — as manifestantes disseram que registrariam um boletim de ocorrência contra ela.

Ideia era reunir movimentos e ocupar a Paulista, diz organizador do ato

O empresário Malta Jones, coordenador do Projeto União Brasil, não se mostrou frustrado com a baixa adesão do ato, que não teve a participação de deputados federais ou senadores. Para ele, o objetivo de reunir líderes dos movimentos associados e atrair a atenção das pessoas foi atingido. “Estamos aqui para colocar nossas quatro pautas principais: Flávio Bolsonaro presidente, Jair Bolsonaro livre, ‘supremo é o povo’ e ‘juntos somos mais fortes’”, disse a jornalistas após o ato.

A autorização para que a direita ocupasse a Avenida Paulista no 1º de Maio desagradou à esquerda, que reivindica o direito de representar as pautas trabalhistas no Dia do Trabalhador. Na semana passada, após uma conturbada reunião entre a Polícia Militar e os movimentos que pediram para usar a via, a PM decidiu reservar o espaço ao primeiro grupo que solicitou a permissão — no caso, os Patriotas do QG, associados ao Projeto União Brasil, que enviaram o requerimento ainda em 2025.

Segundo Malta, o plano é repetir a manifestação bolsonarista no próximo dia 9 de julho, aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932, e no 7 de setembro, quando é celebrada a Independência do Brasil.



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